Ordem para motim foi dada na sexta

A direção e a maioria dos detentos do Complexo Carandiru já sabiam com dois dias de antencedência que o Primeiro Comando da Capital (PCC) iria promover no domingo a maior rebelião já registrada na história do sistema penitenciário do País. A transferência dos líderes do PCC para outras penitenciárias, o fim de alguns privilégios e o medo da facção foram os motivadores da ação.Três representantes do PCC e funcionários da Casa de Detenção e Penitenciária do Estado confirmaram saber do motim antecipadamente. A ordem para começar o levante partiu do preso Marcos Willians Herbas Camacho, de 33 anos, o Marcola, um dos fundadores do PCC que foi transferido para uma prisão no Rio Grande do Sul. Ordem de levante"Na sexta, ele deu a ordem para começar ´a levantar´ nas cadeias", disse a dona de casa Joana, que visita aos domingos seu marido Joel no Pavilhão 3 e trabalha para o PCC. Até esta segunda-feira o irmão de Marcola, conhecido como Júnior, estava no comando da rebelião no Complexo Carandiru. Na sexta-feira, ele ligou, usando o seu celular particular, para os "cabeças" de cada presídio do Estado. "Domingo, na hora da visita, vâmo (sic) levantar tudo", avisou. A informação também foi passada para os "faxinas" da Penitenciária do Estado e da Casa de Detenção.FaxineirosTecnicamente, os faxineiros formam o grupo mais poderoso no sistema carcerário, pois a eles cabe o tráfego de informações o fornecimento de comida e drogas. "Quem tem poder na cadeia é o ´faxina´, sem ele o PCC não existe", alertou Armando Tabelli, da Pastoral Carcerária, que trabalha há 15 anos no sistema. De acordo com a noiva de Marcola, identificada apenas como S., ele ainda não foi encontrado. "Sumiram com o Marcola. Liguei para as penitenciárias, mas ninguém me dá informações", disse S., de 23 anos. "Nem o advogado está conseguindo."FraldasNo sábado, seis presos foram designados pelos novos líderes do PCC para que fizessem uma "correria" e estocassem fraldas, leite e alimento para as crianças e mulheres que seriam usadas como reféns. A reportagem esteve na Casa de Detenção e conversou com agentes carcerários da "Divinéia" - local onde é feita a primeira triagem dos novos presos. Também falou com alguns detentos que organizavam a liberação de cerca de 4 mil reféns no Pavilhão 2. "Já na sexta os agentes, a direção e os presos sabiam que a cadeia ia ´virar´", disse um dos agentes."Vitória" Cada pavilhão do complexo tinha um ou dois membros do PCC, que cuidavam da ação no local. Entre os detentos, o comentário é que a rebelião foi uma grande vitória e transformou o PCC na facção mais respeitada do País.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.