JF DIORIO / ESTADÃO
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Órgão federal vê piora em quatro barragens com risco de romper em Minas

ANM também aponta falta de preparo de profissionais que fazem vistorias aéreas; mineradora diz trabalhar pela segurança nos locais

Leonardo Augusto, Especial para o Estado

22 de fevereiro de 2020 | 05h00

BELO HORIZONTE - As quatro barragens da Vale em Minas que correm risco de romper a qualquer momento apresentam piora em suas estruturas após um ano sem manutenção e monitoramento, segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM). Com isso, as estruturas tiveram aumentadas ainda mais as chances de colapso. As informações foram repassadas em audiência realizada na Justiça Federal em Belo Horizonte. As barragens são a Sul Superior, em Barão de Cocais, B3/B4, na comunidade de Macacos, em Nova Lima, e Forquilha I e II, em Ouro Preto. A mineradora disse fazer inspeções regulares em suas barragens e trabalhar em planos para que haja acesso controlado nas estruturas. 

A agência aponta ainda que profissionais sem preparo estão sendo usados em operações de vistorias aéreas. Na quinta-feira, 20, técnicos da Vale garantiram a representantes da Associação dos Municípios Mineradores de Minas e do Brasil (Amig) que obras da mineradora para contenção de barramentos em barragens críticas do Estado estão dentro do cronograma e até junho estarão terminadas.

A audiência na Justiça Federal, na qual a ANM repassou as informações, foi realizada na segunda-feira, 17, dentro de ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF) para fechar acordo com a União e o órgão federal sobre cronograma de obras nas barragens. O gerente de Segurança de Barragens de Mineração da ANM, Luiz Paniago Neves, afirmou na audiência que, após um ano sem monitoramento e manutenção das barragens em nível 3, que indica rompimento iminente, "o cenário está progressivamente piorando e, se o empreendedor e as consultorias não puderem atuar diretamente nas barragens, elas fatalmente romperão".

O técnico afirmou ainda que, na semana anterior à da reunião, equipe da ANM vistoriou as barragens de Forquilha I e II "e verificou diversas anomalias que devem ter intervenção o quanto antes". Conforme o técnico da ANM, "as vistorias com helicópteros são feitas com pessoas não especialistas em geotécnica e são um paliativo que não resolve o problema".

O representante da agência disse que "os trabalhadores devem ser salvaguardados, mas, de alguma forma, temos de resolver o problema como um todo, para  que a barragem não se rompa". Em nenhuma das chamadas ZAS (Zona de Autossalvamento) das quatro barragens há moradores. Todos foram retirados até março do ano passado, na medida em que a escala de risco de rompimento foi aumentando.

O presidente da Aecom, empresa que presta consultoria para a ANM e o Ministério Público de Minas, Vicente Mello, afirmou serem necessárias cinco linhas de atuação em relação ao aumento da segurança das barragens. Leitura dos instrumentos e inspeções visuais por geotécnicos formados e com experiência em segurança de barragem, correções regulares de erosão e limpeza de canaletas, novas investigações geológicas e geotécnicas, projeto para obras de reforço e execução dessas obras.

Mineradora diz trabalhar pela segurança das estruturas

Em nota, a Vale disse monitorar todas as suas barragens. "Pelo protocolo de segurança, as estruturas em nível 3 de emergência não podem ser acessadas e têm as Zonas de Autossalvamento evacuadas. Mesmo assim, as estruturas são inspecionadas regularmente com o uso de helicópteros e monitoradas por instrumentos que permitem ao Centro de Monitoramento Geotécnico acompanhar as estruturas 24 horas por dia", acrescentou a mineradora, em nota. 

A empresa afirmou ainda dialogar "de forma permanente com as autoridades, incluindo a ANM, para buscar alternativas para acesso controlado às estruturas". Conforme entendimento recente com a própria Agência e demais autoridades, afirma o órgão federal, "será feito um plano de ação em conjunto com auditorias técnicas independentes para permitir que os trabalhos sejam feitos de forma segura e controlada". Ainda segundo a mineradora, "não houve alteração nos parâmetros de segurança das barragens Forquilhas I e III, Sul Superior e B3/B4 ao longo dos últimos meses".

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