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Órgãos de Gabriela são retirados para transplante em São Paulo

Garota foi baleada durante assalto em Rio Claro; serão doados pulmão, coração, fígado, rim, pâncreas e córneas

22 de maio de 2009 | 08h48

A família de Gabriela Nunes de Araújo, de 8 anos, decidiu doar os órgãos de sua filha. Segundo informações do Hospital Albert Einstein, onde estava internada, cinco órgãos foram retirados para transplante durante a madrugada desta sexta-feira, 22.

 

Poderão ser doados pulmão, coração, fígado, rim, pâncreas, além das córneas, considerada um tecido, de acordo com o hospital. A Central de Transplantes do Estado de São Paulo já foi notificada. A morte cerebral da menina havia sido confirmada nesta quinta-feira, 21

 

Gabriela foi atingida por um tiro na cabeça durante tentativa de assalto à casa de sua família, no condomínio de luxo Jardim Botânico, em Rio Claro, interior de São Paulo, na noite de terça-feira, 19.

 

Suspeitos

 

Testemunhas apontaram dois suspeitos, um de 17 anos e outro, de 20, com passagens pela polícia por furto e porte de drogas. Ambos estão foragidos. "Não coloco nome ou indicação da autoria enquanto não estiver efetivamente confirmada a prisão", afirmou o delegado, em entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira. A Polícia Civil confirmou que os assaltantes conseguiram levar jóias e dinheiro.

 

Ao menos cinco testemunhas, entre as quais estão vigilantes do condomínio, foram ouvidas pela DIG. A polícia não descarta hipótese de alguém de dentro do condomínio ter ajudado na ação dos suspeitos, já que as câmeras de segurança apenas repassavam as imagens e não gravaram nada.

 

Parentes da vítima não quiseram dar entrevistas. No fim da tarde, o hospital localizado na zona sul de São Paulo informou, por meio de assessoria, que 'a família da garota autorizou a doação dos múltiplos órgãos da paciente'. O hospital não informou quais órgãos serão doados. O corpo da menina deverá ser sepultado na tarde desta sexta-feira, no Cemitério Parque das Palmeiras, em Rio Claro.

 

No início da tarde, a família ainda permanecia no hospital. A Polícia Civil de Rio Claro investiga o crime. A tentativa de assalto ocorreu por volta das 21 horas. A criança estava com a babá e a irmã gêmea. Os pais estavam não estavam em casa. Segundo informou a Polícia Militar, os homens teriam pulado um muro protegido por cerca elétrica e câmeras de segurança, para chegar ao local. Os homens procuravam objetos de valor e dinheiro.

 

Durante a busca, o alarme da residência disparou. Segundo a PM, um dos assaltantes teria assustado e disparado a arma. O tiro atingiu a menina. Os assaltantes fugiram em um veículo roubado perto da residência, e encontrado posteriormente pela polícia.

 

A garota foi levada para a Santa Casa de Rio Claro e, na quarta-feira, 20, para o hospital na capital paulista, onde foi submetida a uma neurocirurgia para implante de cateter de fibra ótica intracerebral e cateter para drenagem ventricular, com o objetivo de controlar a hipertensão intracraniana, provocada por um grave edema cerebral (inchaço). O exame de ultrassom transcraniano, realizado três horas após a cirurgia, já demonstrava grave comprometimento da circulação cerebral, segundo informações do neurocirurgião Jorge Roberto Pagura e do superintendente Luis Fernando Aranha Camargo.

 

Revolta

 

No Colégio Koelle, onde a menina estudava no período matutino, os professores foram orientados a não propagar o clima de terror e trauma. De acordo com o diretor e um dos proprietários do colégio Gunar Koelle, muitas crianças - sobretudo as que moram no mesmo condomínio da família da vítima - faltaram à aula nesta quinta-feira. "Na realidade, tentamos acalmar os alunos. Hoje pela manhã, antes de ter a notícia da morte cerebral, procuramos levar esperança de uma recuperação dela aos colegas", afirmou.

 

"As pessoas estão muito traumatizadas, pois procuraram construir suas casas em um condomínio, buscando segurança para suas famílias. O que aconteceu foi realmente um absurdo e desequilibra a fé da população", disse o diretor.

 

Koelle informou que a garota teve seu desenho escolhido ao lado de outros dois, em um concurso realizado com 258 alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental, para ilustrar o convite da festa junina do colégio. Uma amiga da família e moradora do condomínio no bairro Cidade Jardim que não quis dar entrevista, disse ao Estado, por telefone, que os moradores estão muito assustados.

 

Revoltados com a falta de segurança, moradores de Rio Claro organizam para a manhã desta sexta-feira (23) uma passeata que sairá do balão do aeroclube da cidade, próximo à entrada do município. "Enquanto cidades vizinhas têm sistemas de vigilância por câmeras, Rio Claro parou e virou terreno fértil porque a polícia está desaparelhada", afirmou o diretor do colégio.

 

(Com Tatiana Fávaro, de O Estado de S. Paulo)

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