Os candidatos que parecem, mas não são

Aspirantes à Assembleia e à Câmara apostam na semelhança com famosos ou simplesmente adotam nomes conhecidos

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2010 | 00h00

O eleitor paulista poderá escolher, nas eleições para deputado, entre Lula, Serra, Rosinha e Brizola, mas pode não estar votando em quem pensa que está. São dezenas os candidatos camaleões que assumiram nomes famosos na tentativa de sucesso nas urnas.

A Lei Eleitoral permite que o candidato escolha nome, sobrenome ou apelido para aparecer ao lado do número. Lula é o apelido do comerciante Luiz da Silva, candidato a federal pelo PT que tem em comum com o presidente, além do partido, o nome quase completo. A barba o torna ainda parecido com o presidente. "Ganhei o apelido porque já me confundiram com ele", diz.

O agrônomo Clovis Serra Júnior, estadual pelo PV, é conhecido pelo sobrenome igual ao do candidato tucano à Presidência, José Serra. Na lista do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para São Paulo aparecem ainda os candidatos Dr. Ulysses, Jânio e Washington Luís, personalidades da política nacional que já não estão entre nós. Tem ainda JK, Lulinha e Geraldinho, diminutivo pelo qual é conhecido o atual candidato ao governo paulista, Geraldo Alckmin, do PSDB. Nomes de personalidades internacionais, como Barack Obama, Nelson Mandela e John Kennedy, também foram adotados por candidatos.

O presidente dos Estados Unidos emprestou o nome para dois candidatos. Ananias Rodrigues da Silva, de 41 anos, o Obama Brasil, decidiu disputar uma vaga em Brasília pelo PTB depois de ser considerado sósia oficial do americano. "Muita gente na rua ficava espantada com a semelhança." Ele conta que nasceu pobre, é evangélico e tem os mesmos gostos que o americano.

O outro Barack Obama é Rosemar Luiz da Rosa Lopes, de 56 anos, candidato a federal pelo PSC. Ele reconhece que a semelhança com o presidente dos EUA não vai além da pele negra. "Bom, eu tenho estratégia igual à dele, de tentar me eleger usando muito a internet."

Outros candidatos preferem vincular o próprio nome ou apelido ao de artistas populares ou celebridades televisivas. Didi, Dedé e Mussum estão concorrendo, mas não são Os Trapalhões. Candidato à Câmara, Reginaldo Oliveira de Almeida (PTV) diz que Didi é seu apelido real. Ratinho, Jô e Super Nany, assim registrados no TSE, não têm a ver com os conhecidos apresentadores.

"Tenho esse apelido desde que passaram a me achar parecido com o Ratinho da TV", diz o faxineiro Sebastião Martins de Azevedo, candidato a federal do PRB. Ele não esconde que espera ser "confundido" com o Ratinho original. Tanto que, no curto espaço da propaganda na TV, tenta imitar o apresentador. "Não tenho por que esconder, o objetivo é colar nele mesmo."

A corretora de imóveis Kátia Regina Tomé, a Madonna, do PTB, diz que adotou o nome depois de fazer o papel da popstar americana no teatro. "Não foi para ganhar votos, mas porque sou fã." Outros atores, cantores e músicos sertanejos, como Kojak, Elvis, Vagner Moura, Zé da Estrada, Leo e Leonardo, cederam nomes para candidatos.

Futebol. Nomes de astros do futebol são alvos dos políticos na hora do registro da candidatura. Em São Paulo, concorrem candidatos com nomes ou apelidos de Zico, Kaká, Raí, Bebetto, Zé Maria, Casagrande, Vampeta e até um Pepe e dois Pelés.

O candidato a deputado federal pelo PTB Gilberto de Castro Carmo diz que incluiu Maradona no nome por ser a cara do jogador argentino. "Na Copa fui até entrevistado." Marcos Andrade Batista Santos, o Vampeta, do PTB, garante que já foi confundido com o ex-jogador do Corinthians. O verdadeiro Bebeto, no entanto, concorre a estadual no Rio pelo PDT. Já o Zidane candidato não é o craque francês, mas José Carlos Gomes da Silva, do PSOL.

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