Os pequenos estilistas no maior evento de moda do País

Graças ao apoio de tutores ou passando até por júris técnicos, eles conquistam espaços

O Estadao de S.Paulo

17 de junho de 2008 | 00h00

São 3 mil profissionais na produção, mais de 12 mil visitantes por dia, 300 modelos e 48 grifes, que desfilarão de hoje até o dia 23 na São Paulo Fashion Week (SPFW). Mas mesmo no maior evento de moda do País existem grifes menores - uma turma de novos criadores que consegue ficar sob os holofotes.Nas grifes Maria Garcia, Reserva, Simone Nunes e Erika Ikezili, o que sobra em talento falta em estrutura. Com equipes reduzidas, volume de produção singelo e poucas lojas, elas sofrem para participar de um evento do porte da SPFW e, geralmente, dependem da ajuda de patrocinadores. No entanto, de pequena, essa turma só tem a equipe, uma vez que os valores das roupas acompanham os das marcas estreladas.Há um ano e meio na SPFW, a estilista Simone Nunes, de 30 anos, foi convidada por Paulo Borges, diretor criativo da semana de moda paulista. Simone veio do extinto Amni Hot Spot, projeto de moda que proporcionava aos jovens estilistas diversos benefícios e incentivos que lhes permitiam desenvolver e estruturar trabalhos como criadores e também empreendedores.''Esse projeto fez os participantes se tornarem empresários. Não éramos somente estilistas, fomos muito bem treinados'', conta. ''Quando o Amni acabou, o Paulo Borges chamou as pessoas que acreditava que estavam prontas para participar do evento. Aí eu fui convocada'', lembra Simone, que desfilará a quarta coleção no domingo.Tanta dedicação parece ter dado certo. Hoje, ela trabalha em cima de um planejamento extenso, que vai até 2012. ''De quando comecei a participar até hoje, meu volume de vendas aumentou quase 40%'', estima Simone. Nos próximos quatro anos, ela pretende abrir algumas lojas que levarão o seu nome, já que, até agora, só atende multimarcas.Da mesma forma que Simone teve o respaldo de um diretor criativo, a estilista Camila Cutolo, de 32 anos, também teve mentora. Clô Orozco, dona da grife Huis Clos (que hoje faz parte do grupo de marcas conceituadas que desfilam no evento), convocou a moça para ser sua assistente. Depois de trabalharem juntas durante anos, resolveu dar uma chance a Camila: Clô ofereceu o cargo de diretora criativa da Maria Garcia, segunda marca da Huis Clos.TENSÃO''Estou muito tensa porque é a primeira vez que participamos do evento'', confessa Camila. ''Depois de quase dez edições, a Huis Clos se tornou uma marca conhecida. O processo é esse. Temos um estilo marcante e, com esse desfile, estaremos mais próximos do público. O evento dá visibilidade.''Já Erika Ikezili, de 30 anos, não é bem uma estreante - talvez seja a profissional que participou de mais edições da SPFW. Em sua sétima participação consecutiva, sua história profissional é parecida com a de Simone Nunes, já que ambas fizeram parte da equipe do Amni Hot Spot. No entanto, a nipo-brasileira teve de passar por uma seleção para entrar no evento. ''Foram dois comitês de jurados: um das marcas antigas e outro dos jornalistas de moda. Não foi fácil.''Há bem pouco tempo, Rony Meisler, de 27 anos, era engenheiro de produção; Diogo Mariani, de 30, economista; e Fernando Sigal, de 27, trabalhava com marketing. Hoje, os três amigos cariocas são sócios da marca Reserva, criada há três anos, que vive um momento de ascensão. ''Descobrimos a moda por acaso. Começamos a produzir e vimos que dava certo'', revela Meisler.''É um barato para a gente desfilar ao lado de grandes marcas. A grife só havia se apresentado no Fashion Rio'', diz ele. Agora querem mais. ''Hoje vendemos por volta de 50 mil peças por ano no atacado e mais 50 mil no varejo. E é só o começo.''FRASESSimone NunesEstilista''Esse projeto (Amni Hot Spot) fez os participantes se tornarem empresários. Não éramos somente estilistas, fomos muito bem treinados''Camila CutoloEstilista''Temos um estilo marcante e, com esse desfile, estaremos mais próximos do público''

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