Os temas mais citados pelos candidatos

'Brasil' foi a palavra mais mencionada e 'Lula' fez a diferença, pela ausência ou pela dominância

José Roberto de Toledo, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2010 | 00h00

ESPECIAL PARA O ESTADO

Os três falam muito de Brasil e dos brasileiros. Mas, para além dos jargões de campanha, seus discursos revelam a diferença fundamental de suas candidaturas. Pela ausência ou pela dominância, Lula, mais do que qualquer outro tema, é o que separa a fala de Dilma Rousseff (PT) das de seus rivais José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV).

Na quinta-feira, Marina começou a série de discursos dos agora candidatos formais à Presidência mencionando o nome de Lula três vezes. Não tinha como ignorá-lo: além de terem militado juntos no PT, ela foi sua ministra do Meio Ambiente por cinco anos. Mas ela falou menos do presidente do que de quem, nos seus cálculos, pode ajudá-la mais na atual campanha presidencial. Foi o caso do seu candidato a vice, o empresário Guilherme Leal, dono da Natura, mencionado nada menos do que 13 vezes.

Como esperado, a candidata do PV falou um pouco mais de meio ambiente do que seus adversários. Mas não foi isso que diferenciou seu discurso. De longe, foi a presidenciável que mais disse "eu", talvez por ter improvisado mais: foram 28 vezes, contra apenas 4 "nós". Pode parecer um detalhe, mas não é.

Dilma, ao contrário, foi eclipsada por Lula no seu próprio discurso. No domingo, a candidata do PT disse "eu" apenas 4 vezes, enquanto pronunciou a palavra "Lula" em 18 ocasiões - isso sem contar os 20 "presidente". Tal frequência só é comparável à quantidade de vezes que Lula menciona Dilma em seus discursos.

Serra não mencionou Lula diretamente nenhuma vez, no discurso de sábado. Só o fez de forma dissimulada, dizendo que o Brasil não precisa de "Luíses" - uma comparação implícita entre o atual presidente e o déspota francês Luís XIV, que dizia "o Estado sou eu". Serra falou "eu" 18 vezes, contra 3 "nós".

O "fator Lula" também impactou a escolha dos verbos pelos presidenciáveis. Numa ginástica semântica, Dilma conciliou conceitos em princípio antagônicos: "mudar" (24 citações) e "seguir/continuar" (33 menções). Conjugou o primeiro verbo no gerúndio, e, ao melhor estilo telemarketing, repetiu 22 vezes a expressão "seguir mudando".

Serra buscou escapar do binômio mudança/continuidade. Preferiu o tom motivacional, para dar esperança aos correligionários. Usou e abusou das formas verbais "vamos" (18 vezes) e "acredito" (12 vezes).

Curiosamente, foi a petista e não o tucano quem mais usou as conjugações de "poder", nas formas "podemos" e "pode": foram 15 vezes, contra apenas 4 de Serra, cujo lema é "o Brasil pode mais".

No mais, os três presidenciáveis praticamente se equivaleram nas citações de temas que aparecem entre as principais preocupações dos eleitores nas pesquisas de opinião: educação, saúde, segurança, emprego. Houve apenas diferenças de intensidade nos discursos.

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