Os trilhos da relação política entre Planalto e Bandeirantes

Ainda que a relação entre o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-prefeito e ex-governador paulista José Serra (PSDB), de 2005 a 2010, não possa ser descrita como uma guerra promotora de impasses insuperáveis, é certo que ambos se trataram o tempo todo como rivais, como líderes políticos dos grupos que representavam o governismo e a oposição. É igualmente evidente que o relacionamento entre a presidente Dilma Rousseff e Geraldo Alckmin vive, pelo menos neste momento, um ambiente político-administrativo diferente.

Rui Nogueira, O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2011 | 00h00

Institucionalmente, Lula e Serra se aturaram politicamente. Do ponto de vista administrativo, foram levando. Com Dilma, então chefe da Casa Civil do governo Lula, Serra foi empurrando alguns interlocutores técnicos para as negociações com o Planalto.

Os secretários Lair Krähenbühl (Habitação), Mauro Arce (Transportes) e Dilma Pena (Saneamento e Energia), para citar apenas três importantes técnicos da gestão José Serra, foram ativos interlocutores no debate de políticas públicas e programas como Minha Casa, Minha Vida; PAC do Saneamento; regulação do setor de energia, além das muitas encruzilhadas em que estacionaram os debates sobre investimentos no Metrô de São Paulo, o Rodoanel e o Ferroanel.

As obras de infraestrutura do PAC, tendo o Estado de São Paulo como base, sempre foram uma casca de banana política: Lula propagandeando investimentos que não existiam, Serra investindo mais do que o Planalto, mas não querendo mesmo o rateio financeiro em novos projetos para não deixar o petismo fincar estaca desenvolvimentista no Estado.

O caso Ferroanel é exemplar: ao longo dos últimos anos, os secretários de Serra envolvidos no debate tourearam as discussões técnicas com tantas pedras políticas que não havia mesmo como tomar uma decisão.

Em oito meses dos governos Alckmin e Dilma, no Bandeirantes e no Planalto, respectivamente, a decisão política do Ferroanel foi tomada. O tempo dirá se, além do fato político, os trilhos saíram do papel.

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