Os últimos quercistas e malufistas

Mais do que em outras regiões do Estados, eleitores das pequenas cidades de São Paulo mantêm fidelidade a Quércia e Maluf

José Maria Tomazela / SOROCABA, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2010 | 00h00

Muitos políticos tornam-se fenômenos eleitorais do dia para a noite, mas não resistem à passagem dos anos. Há aqueles, porém, que sobrevivem graças a redutos eleitorais cultivados com persistência, à custa de uma estratégia que inclui cartinhas de aniversário e telefonemas ocasionais. Em rincões do interior de São Paulo, malufistas empedernidos e quercistas históricos mudam de casa, de cidade, até de mulher, mas não de candidato.

"Estamos no páreo de novo, desta vez para eleger Quércia senador", diz o advogado Paulo Banhara, quercista histórico de Tatuí, região de Sorocaba, e vice-presidente do PMDB regional.

A região de Sorocaba é, hoje, um reduto tucano, mas no passado foi um dos berços do quercismo, segundo Banhara. "Votei em Quércia para senador em 74, mas só me filiei ao MDB, que era conhecido como Manda Brasa, em 78. Naquela época, além do Quércia, elegemos deputados federais e estaduais da região."

O partido virou o PMDB e, de lá para cá, ele sempre votou e pediu votos para o peemedebista. "Mas não sou cabo eleitoral, sou amigo." Ele conta que o líder político telefona duas vezes por ano e o visita quando vai à região. "Lembro que é meu aniversário quando chega o cartão do Quércia."

Para ele, a principal marca do ex-governador é a fidelidade aos amigos. "Em política você não pode abandonar os companheiros, por isso muitos da velha guarda, como eu, lembram dele com saudades."

Nas pequenas cidades da região, como Capela do Alto, Guareí e Cesário Lange, o quercismo está vivo, garante. "Ele vai ser bem votado em todas elas."

O aposentado Luiz Alves Silveira, 77 anos, de Pereiras, região de Botucatu, vai votar em Maluf pela enésima vez. Se depender dele, o líder máximo do PP consegue outra expressiva votação para a Câmara. "Já perdi a conta de quantas eleições, mas sempre votei nele."

Silveira morou em São Paulo e se tornou fã quando o então governador apertou o cerco contra a criminalidade. "Ele pôs a Rota na rua e aonde você ia tinha viatura." Irmão de um ex-prefeito janista, Silveira mantém fotos de Maluf na sala da casa e se reúne com outros malufistas ferrenhos, como João Fraletti, para discutir política. "Se alguém fala que ele rouba, eu digo que nunca ninguém provou, mas as obras que ele fez estão aí para quem quiser ver." A mulher de Silveira também é malufista. "Todo ano ela recebe uma cartinha dele."

Maluf mantém seguidores fiéis em Conchas, Bofete e Anhembi, pequenas cidades da região de Botucatu. Em Itapetininga, os dois políticos dividiram uma família. O ex-deputado estadual Osmar Thibes, quercista histórico, é cabo eleitoral do candidato do PMDB ao Senado. Seu filho, Osmar Thibes Júnior, é presidente municipal do PP e pede votos para Maluf. "Fomos cada um para um lado por uma questão da política local", ressalva o filho.

Na quarta-feira, ele caminhou com Maluf na cidade e disse ter ficado impressionado com a popularidade do líder. "Muitos jovens na faixa dos 19 aos 30 anos disseram que vão votar nele."

Thibes Júnior conta que sempre foi ligado ao PMDB - na juventude pertenceu ao antigo MDB -, mas se tornou malufista por uma circunstância local. "Estava cansado de tanto fisiologismo e aí apareceu a oportunidade de assumir o PP municipal."

Para ele, Quércia e Maluf contribuíram para a história política do País. "São figuras importantes no cenário político e, apesar de polêmicos, têm o que mostrar. O Maluf virou sinônimo de obra."

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