Sergio Castro/Estadão
Sergio Castro/Estadão

Ossada de indígena de 3 mil anos é encontrada em Florianópolis

Esqueleto pré-histórico foi achado em escavação para construção de um elevado no sul da ilha

Aline Torres, Especial para o Estado

30 Agosto 2018 | 20h53

FLORIANÓPOLIS - Arqueólogos trabalharam nesta quinta-feira (30) para remover o esqueleto pré-histórico encontrado ontem no canteiro de obras do Elevado do Rio Tavares, no Sul da Ilha da Santa Catarina. Para os pesquisadores, a descoberta é considerada um prêmio. A ossada de um adulto de 1,50 m é de um índio sambaquieiro, povo ancestral que habitou o litoral do estado por mais de três mil anos, do ano 580 a 3.000 a.C.

“É uma grande conquista, por meio dele conheceremos a história de Santa Catarina. Temos muitas possibilidades, análises dos dentes, do DNA, dos artefatos ao redor do corpo”, disse o arqueólogo-coordenador da pesquisa, Osvaldo Paulino da Silva – que acredita que esqueleto tenha em torno de três mil anos.

Silva foi contratado pela empreiteira que venceu a licitação da obra a pedido do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) porque toda região da bacia do Rio Tavares é composta por sambaquis, inclusive, a região do Aeroporto Hercílio Luz. As escavações vinham sido realizadas paralelamente às obras do elevado desde 2015. Ele atua em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Silva ainda disse que a ossada indígena encontrada endossa a sustentação que os sambaquieiros tinham rituais fúnebres. “Ele foi encontrado na mesma posição que os outros, barriga para baixo, cabeça virada para o sul e pés para o norte”.

Os pesquisadores também se surpreenderam com a boa conversação do esqueleto, pois aparentemente todos os ossos estão intactos. Eles acreditam que a preservação se deve ao cálcio das conchas. Em tupi, sambaqui significa “amontoado de conchas”.

As análises sobre a ossada serão feitas pela bioarqueóloga Luciana Scherer, pesquisadora da UFSC e algumas amostras serão enviadas ao laboratório norte-americano Beta Analytic, que fará a datação com carbono 14.

A pesquisa com mais detalhes sobre a vida do indígena pré-histórico deverá ser concluída nos próximos seis meses. As equipes de trabalho pretendem tirá-lo até a noite do terreno, para que vândalos não tentem roubá-lo.  

“É patrimônio da União, não sairemos daqui sem ele”, disse Silva.

A Prefeitura de Florianópolis informou que as obras não serão paralisadas e que partes de outros esqueletos já haviam sido encontradas no sítio de sambaquis.

 

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