Ossadas são encontradas na favela de Parada de Lucas

Policiais da 38.ª Delegacia de Polícia (Brás de Pina) encontraram nesta tarde ossadas enterradas na Favela de Parada de Lucas. A polícia localizou o cemitério clandestino quando buscava os corpos dos oito jovens desaparecidos desde 13 de dezembro, depois de serem retirados de casa, em Vigário Geral, por traficantes da favela vizinha. Ontem, o crime foi reconstituído com a presença de um sobrevivente e de um dos criminosos.As ossadas estavam numa área militar, que pertence à Marinha. Junto ao local havia roupas. O delegado Marcos Neves informou que o material recolhido será submetido a exames para determinar se são ossos humanos e, posteriormente, a exames de DNA. O resultado será comparado com amostras de sangue das mães das vítimas. Só então será possível confirmar se as ossadas são dos oito jovens.O delegado informou que aquele terreno pode ser uma área usada pelo tráfico para se desfazer dos corpos de suas vítimas. "Ali pode funcionar como um ´microondas´ do tráfico. A técnica é semelhante a do caso Tim Lopes. Há uma grande área queimada próximo do local em que as ossadas foram encontradas". afirmou Neves, referindo-se ao jornalista da Rede Globo, assassinado por traficantes em 2002 e que teve o corpo queimado para dificultar sua localização.Próximo ao local em que estavam as ossadas, há uma câmera de segurança. A polícia ainda não sabe se o equipamento grava as imagens ou apenas serve para monitoramento. "Vamos solicitar à Marinha a cópia dessas fitas, se existirem, para saber se flagraram alguma movimentação naquele local", disse Neves.Hoje, o secretário de Segurança Pública, Marcelo Itagiba, determinou que prossigam "pelo tempo que for necessário" as buscas aos corpos dos rapazes de Vigário Geral. "Além de colocar os facínoras na cadeia, o mínimo que a polícia tem que fazer, em respeito à dor das mães que perderam o que tinham de mais valioso, é empregar todos os recursos disponíveis do Estado, tanto da polícia quanto de outros órgãos, para tentar localizar os corpos dos seus filhos", afirmou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.