PRIMUS DRONE
PRIMUS DRONE

Ouro Preto tem cerca de 1,4 mil imóveis em áreas com risco de deslizamento

Mapeamento da Defesa Civil aponta 313 pontos altos em que podem ocorrer deslocamento de terra ou rocha; casarões foram soterrados nesta quinta-feira, 13

Patrícia Rennó, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2022 | 19h31

POUSO ALEGRE - Mapeamento da Defesa Civil de Ouro Preto (MG) aponta que cerca de 1,4 mil imóveis históricos na cidade mineira estão em áreas com risco de deslizamento de terra e deslocamento de rochas. Nesta quinta-feira, 13, dois casarões foram soterrados - como o perímetro já estava isolado, não houve vítimas.

O relevo acidentado, somado ao grande número de imóveis antigos, coloca a região mineira como uma das que têm maior risco geológico no Brasil. Segundo esse mesmo levantamento da Defesa Civil - de 2016, o mais recente -, há 313 pontos altos onde podem ocorrer desmoronamentos do tipo.

Entre o dia oito do mês passado e esta quinta-feira, houve cerca de 150 deslizamentos no município. “Desde dezembro, com as chuvas, não paramos um só momento”, conta o geólogo da Defesa Civil de Ouro Preto, Charles Roamazamu Murta.

Para informar a população sobre os riscos e áreas mais afetadas, o órgão municipal usa um aplicativo. As pessoas podem acompanhar em tempo real como estão as chuvas e pontos de deslocamento de terra.

Para Murta, o trabalho dos profissionais no monitoramento e isolamento no Morro da Forca contribuiu para que não acontecesse uma tragédia. “É importante salientar para os gestores governamentais, que acreditem no trabalho dos técnicos na defesa civil em todo Brasil. Os imóveis que foram atingidos hoje foram interditados há 10 anos por causa do risco evitamos a morte de muitas famílias”, finalizou.

As fortes chuvas que caem na região há dias também comprometeram os acessos a cidade e municípios circunvizinhos, como a BR-356 e MG-129, e caminhões e carros precisam aguardar por horas a liberação das estradas.

A Prefeitura de Ouro Preto informou que a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros continuarão a avaliar o terreno atingido e outras áreas que apresentem risco.  A região ao redor onde ocorreu o deslizamento permanecerá isolada. Há possibilidade de um novo desmoronamento, o que poderia atingir um hotel e um restaurante.

Segundo o secretário municipal da Defesa Civil, Juscelino Gonçalves, o morro é composto de rocha filito e xisto. "A terra está muito encharcada, as rochas estão muito encharcada por baixo e isso potencializa o risco de mais deslizamento. Ainda há possibilidade de descida (de terra) neste local", explicou em vídeo veiculado em rede social.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.