Outdoor com crítica à segurança no Rio de Janeiro é 'apagado'

A peça polêmica é uma charge do artista Carlos Latuff, que mostra um policial sorrindo e uma criança morta

Clarissa Thomé e Felipe Werneck, da Agência Estado,

06 Agosto 2008 | 20h02

Um outdoor com críticas à política de segurança, instalado próximo à Secretaria de Estado da Segurança, foi pintado de branco entre a noite de segunda e a manhã de terça-feira. Uma peça publicitária com a mesma imagem - de uma mulher chorando a morte do filho baleado, à frente de um policial militar e do carro blindado conhecido como Caveirão - já havia provocado polêmica.   Depois de ser exibido a mando do Conselho Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedca), acabou sendo retirado das ruas pela própria entidade. Na ocasião, o secretário da Casa Civil, Regis Fichtner, disse ao Estado que o painel "continha mensagem grave e equivocada sobre a PM". A Secretaria da Segurança informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que nada tem a ver com a pintura do novo cartaz.     Os outdoors, antes e depois da aplicação de tinta. Fotos: Marcos D'Paula/AE   A peça polêmica é uma charge do artista Carlos Latuff. Dessa vez, o desenho está sob uma tarja vermelha "censurado" e ao lado da inscrição: "Candelária, Vigário Geral, Baixada, Alemão, Acari, Providência... estamos mais seguros? Infeliz é a sociedade que assiste passivamente sua juventude ser exterminada", lembrando as grandes chacinas que marcaram o Rio, numa crítica à política de segurança.   O novo outdoor é patrocinado por seis entidades: Grupo Tortura Nunca Mais, Justiça Global, DDH, Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência, Instituto Carioca de Criminologia e Projeto Legal. O desembargador Siro Darlan, presidente do Cedca, disse que os primeiros cartazes foram exibidos para convocar a população para a passeata comemorativa dos 18 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente, que coincidiu com os 15 anos da Chacina da Candelária. Os painéis foram retirados depois da manifestação, e não por pressão do governo, disse o magistrado.   "Havia crítica ao Estado, e não ao governo. Expliquei ao secretário (Fichtner) que o objetivo não era atingir ninguém", disse Darlan.   O magistrado informou que o Cedca não é "co-responsável" pelo novo cartaz, mas lembrou que "o número de crianças e adolescentes assassinados nessa guerra incessante preocupa a todos". Os novos painéis também foram instalados em Botafogo e no Maracanã.

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