Outeiro da Glória será restaurado com recursos do BNDES

A restauração do Outeiro da Glória, uma das primeiras igrejas do Rio, está em sua etapa final. Os azulejos portugueses, com cenas do Antigo Testamento, já passaram por esse processo no início da década. Nesta sexta-feira, 25, a Imperial Irmandade de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, mantenedora do templo, assina um convênio no valor de R$ 991 mil com o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para obras no telhado, nos três altares e na fachada que estão se desmanchando devido ao vento e à maresia. As obras vão até o fim de 2007. "Desde sua inauguração, em 1739, a igreja não teve uma obra desse porte, só emergenciais. O BNDES cobre 60% do orçamento e vamos captar o restante durante os próximos meses", diz o presidente da Irmandade, Mauro Viegas, arquiteto e empresário da construção civil. "Os altares de madeira foram cobertos de ouro no início do século 19, como era moda, e descobertos em meados do século passado. Vamos decidir, com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que vistoria o projeto, se após a obra ficarão na madeira original ou dourados.", acrescentou.Construída no alto de uma colina que tinha o mar a seus pés, a igreja do outeiro da Glória encantava quem chegava ao Rio desde os tempos da Colônia, com suas linhas singelas e elegantes, anteriores ao barroco brasileiro. Não foi diferente com a família imperial brasileira, que a escolheu para suas cerimônias religiosas. Dom Pedro II foi batizado lá e toda a corte a freqüentava. Hoje ainda é a preferida para casamentos da burguesia. Nos meses de pico, podem acontecer até seis cerimoniais num sábado. "Os noivos com casamento marcado para o ano que vem podem ficar tranqüilos porque as obras serão suspensas para a realização das cerimônias religiosas", avisa Viegas. O diretor da Área Social e de Crédito do BNDES, Élvio Gaspar, lembra que este é mais um motivo para o banco financiar a obra com recursos da Lei Rouanet. "A igreja está numa das três cidades escolhidas para receber recursos (as outras são Ouro Preto e Olinda), faz parte de um conjunto arquitetônico importante e tem viabilidade econômica", conta Gaspar. "Além disso, todo mundo tem uma história afetiva com o outeiro. Se não se casou, esteve lá para casar um filho, um amigo ou um parente."

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