Outono: variação térmica aumenta risco

O outono é considerado pelos especialistas o vilão da saúde. O motivo é a mudança brusca de temperatura, característica da atual estação, que aumenta o risco de doenças, especialmente em idosos e crianças. É a chamada amplitude térmica - ondas de frio e calor em curto espaço do tempo.A última pesquisa do Laboratório de Poluição da USP contabilizou os efeitos dos extremos de temperatura. Em dias em que termômetros ficam abaixo dos 10°C são sete idosos que morrem a mais por dia só na cidade de São Paulo (além dos 75 com mais de 65 anos que todo dia morrem na capital). Isso porque, segundo o médico Paulo Saldiva, o organismo não está preparado para enfrentar as mudanças. Além disso, quando termômetros oscilam muito, o sangue fica mais espesso, o que aumenta riscos de problemas cardiovasculares. "As cidades são observatórios naturais sobre os efeitos devastadores do aquecimento e também das sequelas da poluição. O que era só teoria nós atestamos na prática, com as mortes provocadas pelas enchentes, idosos que acabam morrendo no frio, estatísticas que nem sempre são relacionadas às mudanças climáticas."São dois os fatores que influenciam na amplitude térmica, explica Helena Ribeiro, geógrafa da Faculdade de Saúde Pública da USP: a devastação da vegetação e a poluição. Os extremos de frio e calor - mais acentuados desde 2005 - são consequências direta do aquecimento global e, como atestou pesquisa realizada por Helena, os mais desfavorecidos sofrem mais. Ela comparou a condição térmica da Favela de Paraisópolis com uma rua arborizada do Morumbi, duas regiões próximas na zona sul de São Paulo. A conclusão foi que, na favela, as temperaturas foram mais elevadas de dia (até 3°C) e mais baixas à noite (1°C, em média).

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