Ouvidor da polícia apura investigação da morte de Toninho

O ouvidor da polícia paulista Fermino Fecchio Filho esteve hoje em Campinas iniciando os trabalhos de apuração dos procedimentos da polícia local nas investigações da morte do prefeito Antonio da Costa Santos, assassinado em 10 de setembro. Fecchio explicou que conversou com representantes da sociedade civil, mas ainda não leu o inquérito e nem ouviu os policiais da cidade. Depois de chegar a Campinas, no início da manhã, Fecchio teve várias audiências com representantes do Executivo, Legislativo, do Ministério Público, com advogados e moradores. Um dos primeiros encontros foi com a prefeita Izalene Tiene. O ouvidor disse que não se reuniu com representantes da polícia porque o diretor da região, Eduardo Hallage, estava em São Paulo. Fecchio comentou que ouviu muitas reclamações sobre procedimentos técnicos da polícia, como a de que o Vectra prata, possivelmente usado no caso, foi mal periciado. O ouvidor voltou a relacionar a morte de Toninho, como era chamado o prefeito, com o assassinato de quatro seqüestradores em Caraguatatuba. Segundo Fecchio, os quatro policias responsáveis pela morte dos seqüestradores alegaram que estavam atrás deles porque dois eram suspeitos de envolvimento no assassinato do prefeito. Os policiais disseram, em depoimento, que um dos mortos teria sido visto no dentro do Vectra prata na noite em que Toninho foi assassinado. As digitais dos quatro seqüestradores foram confrontadas com fragmentos de digitais encontradas no Vectra, mas o resultado deu negativo, conforme informou à época o delegado seccional Osmar Porcelli. Fecchio reconheceu que não pode fazer uma avaliação do caso somente a partir do que ouviu hoje, mas encarou como positiva a mobilização da sociedade civil. O ouvidor explicou que o Vectra é considerado importante para o caso, mas não descartou a participação dos quatro suspeitos do assassinato, detidos em Campinas, que confessaram o crime e depois voltaram atrás. Eles tiveram prisão temporária decretada pela Justiça, mas foram soltos por falta de provas. Fecchio contou que irá se inteirar do inquérito, ouvir a polícia e aguardar o relatório final do caso. Se considerar que as investigações têm falhas, irá encaminhar a denúncia a instâncias superiores, como "a corregedoria, o Ministério Público, o Ministério da Justiça". Ele disse que poderá voltar a Campinas no decorrer dos trabalhos. O caso de Caraguatatuba, que também está sendo analisado pela Ouvidoria, ainda não foi encerrado. Fecchio aguarda o relatório final do inquérito, e o relatório da sindicância da polícia, para analisar o resultado das investigações. Mas já adiantou que há fortes indícios de que os seqüestradores foram executados pelos policiais de Campinas. "Não estou com pressa. Espero que o relatório esteja bem completo, porque se não estiver nós acionaremos os órgãos competentes", afirmou. De acordo com o ouvidor, o PT não defende a tese de a morte de Toninho foi um crime político, mas quer que todas as pistas sejam investigadas e que a polícia solucione o caso. Fecchio é filiado ao PT. "Como cidadão sou filiado ao PT, como ouvidor não tenho partido", garantiu.

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