Ouvidor suspeita de execução sumária de suspeitos

O inquérito policial de mais de 500 páginas que investiga a morte, em Caraguatatuba, no litoral paulista, de quatro suspeitos do assassinato do prefeito de Campinas (SP), Antônio da Costa Santos (PT), mostra fortes indícios de que eles podem ter sido executados sumariamente pelos quatro policiais que deveriam prendê-los. O ouvidor da Polícia do Estado de São Paulo, Fermino Fechio Filho, confirmou hoje que um dos suspeitos foi morto com um tiro na nuca e que "não há nenhum indício de que tenha ocorrido realmente uma troca de tiros"."E se estes camaradas foram executados?", pergunta Fechio Filho. O depoimento de pelo menos um dos mortos poderia ser fundamental para esclarecer o assassinato do prefeito, segundo informações da própria polícia de Campinas. "Na minha terra, em Matão, testemunha boa é testemunha viva", ironiza o ouvidor. "O que queremos saber é: porque eles foram mortos nesta operação deplorável?"De acordo com a versão oficial, Anderson José Bastos, Fábio Soares Menengrone, Alexandre Renato Pereira de Carvalho e Valmir Conti, sob os quais pesava a acusação de terem participado do assassinato do prefeito, morreram numa troca de tiros com policiais. Eles estavam escondidos numa casa, na Praia Martin de Sá, quando investigadores de Campinas chegaram. De acordo com a versão dos policiais, a equipe foi recebida a tiros e apenas revidou. Nenhum policial se feriu."É uma versão difícil de sustentar. A casa poderia ter sido cercada e eles deveriam ter chamado reforços, cortado a luz, cortado a água. Nada justifica o que aconteceu ali. A ação dos policiais foi ridícula e deplorável", avaliou Fechio Filho. Para o ouvidor, a execução de um dos suspeitos com um tiro na nuca e a grande quantidade de projéteis encontrados nos corpos de todos eles, coloca sob "suspeita total" a versão dos policiais.O inquérito, conduzido pela Polícia Civil de Caraguatatuba, e a sindicância aberta pela Ouvidoria correm em segredo. "Só poderemos falar de forma conclusiva quando tivermos em mãos os resultados do inquérito e da sindicância, mas os suspeitos já estavam dominados quando foram mortos e, com certeza, não colocavam a vida de ninguém em risco", afirmou Fechio Filho.Os quatro mortos tinham passagens pela polícia por assalto a banco, tráfico de drogas e participação em seis seqüestros na região de Campinas. O advogado criminalista e deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) tem insistido na tese de crime de encomenda na morte de Costa Santos. "Quando se quer matar alguém hoje, o que se faz é contratar bandidos para encenarem um crime comum", conjectura Greenhalgh.PT em BrasíliaUma comitiva de dirigentes nacionais do PT, encabeçada pelo deputado federal José Dirceu (PT), vai se reunir como o ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira, amanhã, às 11 horas, em Brasília, para falar sobre as ameaças e atentados que integrantes do partido vêm sofrendo nos últimos meses.A esposa do prefeito assassinado de Campinas, Roseane Santos, vai participar da reunião, ao lado de Margareth dos Santos Augusto, esposa do dirigente do PT e sindicalista Audanir dos Santos, assassinado em 24 de novembro, no Rio de Janeiro, e do prefeito de Embu, Geraldo Cruz, vítima de recente atentado a bomba.

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