Ouvidoria apura se menina de 16 anos ficou em DP de Guarulhos

Delegado nega que ela tenha ficado em carceragem mista e dividido banheiro com presos homens

Josmar Jozino, O Estadao de S.Paulo

08 de dezembro de 2007 | 00h00

A Ouvidoria das Polícias abriu procedimento para apurar denúncia sobre a permanência de uma adolescente de 16 anos na mesma carceragem com presos, no 1º DP de Guarulhos, na Grande São Paulo. A garota teria ficado dois dias numa cela com outras presas. Elas teriam usado o banheiro de um xadrez onde havia de 20 a 30 detentos.O delegado-titular do 1º DP de Guarulhos, Willian Grande, garante que a denúncia não procede. "As presas foram transferidas no mesmo dia. A menor foi para a Vara da Infância e da Juventude e as outras quatro maiores para a Cadeia de Arujá, na Grande São Paulo. Enquanto ficaram no DP, usaram o banheiro das carcereiras. Esse lugar é isolado das celas em que ficam os presos."Em entrevista à TV Record, a adolescente afirmou que ficou dois dias na carceragem mista, em 21 e 22 de julho deste ano. Disse ainda que, a princípio, usou o banheiro dos funcionários e, depois, o mesmo banheiro dos presos.O ouvidor das Polícias, Antônio Funari Filho, informou que abriu procedimento e vai encaminhar o caso à Corregedoria da Polícia Civil e ao Ministério Público. "Isso é um absurdo. O fato de colocar uma adolescente numa carceragem mista, já é grave. A polícia existe para proteger a vida e a dignidade das pessoas. Vamos acompanhar a investigação."Na época em que ficou na carceragem do 1º DP de Guarulhos, a adolescente tinha 16 anos. Ela completou 17 no mês passado. A jovem foi detida por policiais militares às 9h30 de 21 de julho. Ela estava com o namorado, também adolescente, e um grupo de amigos acusados por tráfico. Na carceragem do 1º DP de Guarulhos, há celas para presos temporários, detentos acusados de não pagar pensão alimentícia e também para menores.SERRA ESTRANHAO governador de São Paulo, José Serra (PSDB), disse ontem que ficou surpreso com o fato de menores infratores serem mantidos em celas de delegacias ou em cadeias públicas no Estado por mais de cinco dias, contrariando determinação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). "Estranhei um pouquinho", resumiu Serra, sem se alongar sobre o assunto. E enfatizou que isso ocorreu por decisão do Judiciário. "Defendemos junto à Justiça que o pessoal possa ir para recintos da Fundação Casa", afirmou. Hoje, 231 adolescentes são mantidos por juízes em unidades policiais na Grande São Paulo, no interior e no litoral de São Paulo.

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