Ouvidoria de SP vai investigar Caso Toninho do PT

A Ouvidoria de Polícia de São Paulo abriu procedimento para apurar as investigações sobre a morte do prefeito de Campinas Antonio da Costa Santos, o Toninho do PT.O ouvidor Fermino Fecchio Filho disse, nesta quarta-feira, que o procedimento foi aberto por solicitação da prefeita Izalene Tiene (PT) e do deputado estadual Renato Simões (PT).Fecchio Filho explicou que se encontrará com os dois políticos em Campinas na próxima semana, em data ainda não definida. "Eles me disseram que têm denúncias a fazer e que gostariam de fazê-las pessoalmente. Então irei a Campinas para conversarmos", disse o ouvidor.Segundo ele, a Ouvidoria tem recebido "muitos" telefonemas de moradores de Campinas que reclamam da ineficiência da polícia para solucionar o caso.Fecchio Filho explicou que fará um "balanço" do que está ocorrendo nas investigações do Caso Toninho antes de apontar medidas a serem tomadas. "Parece que a prefeita e o deputado têm sólidas razões para questionar o inquérito", alegou.Segundo ele, as falhas surgiram já no dia do assassinato, porque o local do crime não foi preservado até a chegada da perícia. "A primeira versão do crime tem que ser da perícia e não da polícia", insistiu.Muitas coisas no Caso Toninho ainda não foram explicadas, conforme o ouvidor. "O tal Vectra, por exemplo, precisa de esclarecimentos", observou. Ele afirmou que, se a polícia de Campinas enfrenta problemas para conduzir o inquérito, deveria reportá-los aos superiores.O ouvidor comentou que os próprios policiais suspeitos de executarem quatro seqüestradores em Caraguatatuba relacionaram o ocorrido à morte do prefeito. A informação está nos depoimentos dos policiais feitos à polícia de Caraguatatuba.Fecchio acrescentou que será "muito difícil" sustentar a tese de que houve resistência dos seqüestradores neste caso. A Ouvidoria já recebeu cópias dos laudos das necropsias dos quatro mortos e está aguardando "para as próximas semanas", segundo Fecchio Filho, os relatórios finais do inquérito criminal e da sindicância administrativa."Ao recebê-los, vamos avaliar as conclusões e punições a serem aplicadas. Se acharmos que houve corporativismo ou falhas, vamos encaminhar o caso ao Ministério Público", adiantou.Os laudos da necropsia apontam que há evidências de que não houve resistência do seqüestradores, como tiros na parte externa das mãos das vítimas, sinal que elas tentavam se defender, disse o ouvidor. "Por que os policiais invadiram a casa, se os quatro estavam dormindo, e por que mataram?", questionou.Fecchio Filho disse que o Caso Caraguatatuba deve representar para a polícia civil o que o Caso Favela Naval representou para a militar. Segundo ele, ambos abalaram a instituição policial e provocaram reflexão.O delegado seccional de polícia de Campinas, Osmar Porcelli, não foi encontrado, nesta quarta-feira, para falar sobre os dois casos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.