Ouvidoria faz graves acusações contra policiais de Campinas

O ouvidor das polícias estaduais de São Paulo, Fermino Fecchio Filho, fez graves acusações contra os policiais da Delegacia Anti-Seqüestros (Deas) de Campinas envolvidos na ação em que o aposentado Jorge José Martins foi morto, dentro de sua casa, no Jardim Bandeira, no último dia 23. Investigadores da Deas foram até o local com um mandado de busca e apreensão após receber denúncia anônima de que ali funcionava um cativeiro.Martins apareceu na janela da cozinha e foi morto a tiros por um dos investigadores, cujo nome a polícia não divulgou. Segundo os policiais, o aposentado atirou primeiro, com um revólver calibre 38, e o policial reagiu para não ser morto. A família nega e afirma que a vítima foi executada. No mais recente boletim informativo da Ouvidoria, divulgado pela internet, Fecchio Filho endossa a versão da família. Ele afirma que Martins ?foi executado friamente por policiais?. O ouvidor garante ainda que o mandado de busca usado pelospoliciais era ?forjado?. ?O mandado de busca, forjado pela polícia, estava em nome de um tal José Ademir, que nunca morou na casa?, diz, no texto.Ainda conforme o ouvidor, ?algemados, pisoteados, chamados de vagabundos e impossibilitados de socorrer o pai, os filhos ainda assistiram à profanação do cadáver, arrastado pelo chão, deixando um rastro de sangue?. Ele alega que o aposentado somente deu entrada no Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas uma hora depois de ser levado pela polícia, em uma viatura. Fecchio Filho explica que obteve as informações junto à própria família, que visitou no último dia 28. Ele também acusa a polícia técnica de não ter feito a perícia no local. Garante ter comprovado pessoalmente que os tiros partiram de fora para dentro da cozinha e pede que o ?culpado? seja apontado. A Deas informou, à época, que os peritos estiveram no local logo após o ocorrido e que os laudos deverão comprovar a versão da polícia. O diretor do Departamento de Polícia do Interior 2 (Deinter 2), José Laerte Goffi Macedo, disse nesta quinta-feira que não poderia se manifestar porque o caso foi encaminhado àCorregedoria de São Paulo. O delegado da Corregedoria que cuida do inquérito, Denis Castro, não foi encontrado ontem para falar sobre as investigações.

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