AO VIVO

Acompanhe notícias do coronavírus em tempo real

Ouvidoria investiga morte de aposentado por policial

A Ouvidoria das Polícias Estaduais de São Paulo abriu procedimento para averiguar a morte do aposentado Jorge José Martins, de 55 anos, atingido por quatro tiros disparados por um policial da Delegacia Anti-Seqüestros de Campinas (Deas), na quinta-feira passada. O ouvidor Fermino Fecchio Filho avisou que irá se encontrar com os parentes da vítima, mas o dia e o local do encontro serão mantidos em sigilo."Será uma reunião sigilosa para evitar retaliações", alegou Fecchio Filho. Ele comentou que a Ouvidoria solicitou à polícia de Campinas cópias do Boletim de Ocorrência, do laudo da necropsia e dos exames de balística feitos nas duas armas usadas na ocorrência, a pistola 45 do policial e o revólver calibre 38 do aposentado, entregue pelos policiais da Deas. O revólver está com a numeração raspada. Na sexta-feira, parentes do aposentado fizeram um protesto em Campinas e afirmaram que a arma atribuída a Martins não lhe pertencia. Os filhos apresentaram versões desencontradas para a ocorrência. Ivanilda Martins disse que o pai reagiu à chegada da polícia atirando, para proteger a família porque acreditou que os investigadores fossem ladrões, já que estavam de capuz. Éderson Martins garantiu que o pai não atirou e que o revólver não era dele.A Deas sustenta que os investigadores foram até a casa de Martins, no Jardim Bandeira, com mandado de busca e apreensão, para investigar denúncia anônima de que o local servia de cativeiro. Ainda conforme a Deas, o aposentado atirou contra um policial, que revidou e o acertou com um dos três disparos. Segundo a Delegacia, os laudos irão comprovar a versão da polícia. "Fizemos 40 prisões em nove meses, desde que a Deas de Campinas foi criada. Esse tipo de repercussão, em um caso de defesa do policial, prejudica todo o nosso trabalho", desabafou um investigador que preferiu não se identificar.Fecchio Filho contou que desconfiou principalmente da arma raspada entregue pelos policiais como sendo do aposentado. "Esse é um artifício da polícia para incriminar quem foi morto", afirmou. Ele alegou que a Ouvidoria decidiu entrar no caso devido à repercussão e porque "há coisas mal explicadas". O delegado do Departamento de Polícia do Interior (Deinter 2), sediado em Campinas e responsável por 90 cidades da região, Laerte Goffi Macedo, disse que o caso foi encaminhado para a Corregedoria de Polícia e que não se manifestaria sobre o assunto.

Agencia Estado,

27 de maio de 2002 | 17h44

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.