PAC 2 traz promessas eleitorais para ajudar Dilma nas grandes cidades

PAC 2 traz promessas eleitorais para ajudar Dilma nas grandes cidades

O governo juntou 30 ministros, 18 governadores e centenas de prefeitos para apresentar ao País a segunda versão do Programa de Aceleração do Crescimento. Na prática, como deixaram claro os discursos, o PAC 2 é uma plataforma de promessas eleitorais da candidata do PT à sucessão presidencial, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Tânia Monteiro e Renato Andrade, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2010 | 00h00

Na solenidade, realizada ontem em Brasília, o grosso das promessas - mais casas, mais transporte, postos de saúde, água e luz para todos, saneamento, creches, quadras poliesportivas, praças públicas e postos de polícia comunitária - foi dirigido ao eleitor da periferia das regiões metropolitanas, onde estão concentrados os grandes colégios eleitorais.

A indefinição sobre os projetos e investimentos ficou tão evidente, embora o governo tenha citado cifras na casas dos "trilhões", que o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou o conjunto do PAC 2 de uma "prateleira de projetos" para o futuro governo.

Durante o mesmo discurso, o presidente anunciou que tinha desistido da viagem que faria hoje para Pernambuco a fim de inaugurar uma parte da Ferrovia Transnordestina, por problemas com a obra. "Eu não estou contente com o que nós fizemos até agora", disse Lula, reconhecendo fragilidades do PAC 1.

Preliminar. Na página 31 do relatório do novo PAC, o governo admite que "os investimentos em habitação e saneamento, mobilidade urbana, pavimentação e equipamentos sociais e urbanos serão definidos entre abril e junho a partir do diálogo com Estados e municípios".

Na mesma página do relatório, ao tratar dos "investimentos em logística e energia", o governo federal admite que existe apenas uma seleção que tem "caráter preliminar". Assim como o PAC 1, o novo plano nasce como reunião de propostas e projetos que transitam pelos ministérios.

O PAC 1, lançado em janeiro de 2007, tem 54% dos projetos que nunca saíram do papel, 11,3% das obras concluídas e 34,7% das propostas em andamento.

Para reforçar o viés da promessa eleitoral, o governo falou menos em grandes obras de infraestrutura e apresentou o novo programa como um plano que reúne seis PACs. Como a promessa de construção de uma usina hidrelétrica tem pouco apelo eleitoral, o Planalto tratou o PAC 2 como um conjunto de investimentos em que "o dinheiro público será transformado em qualidade de vida e um futuro melhor para os brasileiros".

Prazos. Os seis planos dentro da segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento são: PAC Cidade Melhor, PAC Comunidade Cidadã, PAC Minha Casa, Minha Vida, PAC da Água e Luz para Todos, PAC dos Transportes e PAC da Energia.

Ao ser questionada sobre prazos e cronograma de obras desses planos todos, a secretária de Acompanhamento e Monitoramento da Casa Civil, Miriam Belchior, foi taxativa: "Não temos bola de cristal."

Na solenidade, que durou duas horas e 40 minutos, o cerimonial do Planalto escolheu o governador Jaques Wagner, da Bahia, para representar os demais chefes dos Estados.

"Lula está refundando a nação brasileira", disse. Wagner é o governador petista candidato à reeleição que enfrenta a oposição do PMDB, do aliado federal e ministro de Lula, Geddel Vieira Lima (Integração Nacional). Já o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), ex-tucano e aliado incondicional do governador Sérgio Cabral (PMDB), discursou representando os colegas.

Ao se manifestar na cerimônia, o presidente da CUT, Arthur Henrique, defendeu o controle social da mídia. "A liberdade de imprensa não é liberdade privada", declarou ele. / COLABORARAM JOÃO DOMINGOS, EDNA SIMÃO, VERA ROSA

Evento custa R$ 170 mil

O governo pagou R$ 170 mil à Swot Serviços de Festas e Eventos para "planejamento e organização" do lançamento do PAC 2. A contratação foi publicada ontem no Diário Oficial da União.

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