Paciente tem consulta remarcada para junho

Diretor diz que agendamento é para no máximo 30 dias

Camilla Haddad e Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

28 de dezembro de 2007 | 00h00

Apesar da agilidade no processo de remarcação de consultas, pacientes reclamaram do tempo que vão ter de esperar para ver o médico. O motorista Paulo Oliveira, de 57 anos, tinha avaliação médica marcada para ontem, às 7h30, no Prédio dos Ambulatórios. Mas só conseguiu remarcá-la para junho. "Depois dessa avaliação, ia fazer cirurgia de hérnia. Agora estou com medo de piorar." Segundo ele, a família não tem dinheiro para um convênio. "A gente depende do Hospital das Clínicas para tudo. O jeito agora é aguardar."O superintendente do HC negou problemas, embora o Estado tenha encontrado casos de remarcação para o segundo semestre de 2008 em algumas especialidades. "Impossível. Deve haver algum mal-entendido, pois isso (a remarcação) está acontecendo para no máximo daqui a 20 ou 30 dias." Por volta das 6h30 de ontem, uma fila de 200 pessoas buscava orientações na frente do HC. O novo agendamento ocorreu dentro de uma sala no piso térreo. Cada paciente recebia uma senha e esperava, em média, 15 minutos para ser atendido.Segundo a assessoria de Imprensa do HC, ontem estavam previstas 1.520 consultas. Desse total, 853 pessoas compareceram para novo agendamento. As datas são distribuídas de acordo com a especialidade. Entre as mais procuradas estão pneumologia e reumatologia. Mas, ao contrário do que diz a administração do HC, há pessoas que vão ter de esperar cerca de dez dias apenas para remarcar. É o caso de Milton da Silva Ribeiro, de 71 anos, e da mulher, Inês Arruda Ribeiro, de 54, que passam o dia grudados na televisão e no rádio - porque assim foram instruídos. Anteontem, eles viajaram de trem e metrô por duas horas, de Ferraz de Vasconcelos até o Hospital das Clínicas. Milton, aposentado, deficiente visual, cinco pontes de safena, tem um nódulo na garganta que pode ser câncer. Inês sofreu um enfarte enquanto dormia. Precisava fazer exames para saber a gravidade. Apesar da urgência, tudo que eles ouviram dos funcionários foi: "voltem para casa e acompanhem as notícias".Inês mal consegue falar no telefone sem perder o fôlego. "Estamos no escuro, sem saber o que fazer", diz a dona de casa, que também ficou sem conseguir medicamentos e teve de comprar o que precisava ontem em uma farmácia popular. "Precisamos do acompanhamento. Ouvi falar no rádio que o ambulatório vai abrir em janeiro, é tudo o que eu sei. Espero não piorar até lá."Ainda de acordo com o HC, por volta das 10 horas de ontem o laboratório de análises clínicas voltou a funcionar. Ali estão sendo feitas coletas de sangue, fezes e urina, das 6h30 às 13 horas. O posto do Hemocentro segue desativado e a fundação pede aos voluntários que compareçam a outros postos. INFORMAÇÕES ÚTEISConsultas e orientações: em caso de dúvidas, os pacientes podem receber informações por intermédio do Núcleo de Comunicação do HC. Telefone: 3069-6710, 3069-7048 ou 3096-6246. Os interessados ainda podem acessar o site: www.hcnet.usp.br. Sangue: As doações podem ser feitas em outras unidades da Fundação Pró-Sangue, nos Hospitais do Mandaqui, na zona norte, e Dante Pazzanese, na zona sul.

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