Pacote afetará 20% da carga do País

Até serviço de correio deve ser atingido; um vôo Guarulhos-Manaus-Guarulhos sairá US$ 10 mil mais caro

Mariana Barbosa, O Estadao de S.Paulo

01 de dezembro de 2007 | 00h00

As empresas de carga estão bastante preocupadas com a proposta de aumento de 1.200% na tarifa de permanência de aviões no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. A medida afetará a operação dos Correios - Guarulhos é justamente o centro de conexões da malha aérea da ECT - e cerca de 20% da carga aérea do País, que passa pelo Aeroporto de Guarulhos. Os vôos da malha aérea dos Correios são realizados por empresas privadas, por meio de licitação. "As empresas, sem dúvida, tentarão repassar os custos para os Correios. Ao final, quem pagará a conta é o usuário do correio", diz uma fonte que participou da reunião com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em que a proposta foi apresentada às companhias.De acordo com essa fonte, com o aumento da tarifa, um vôo Guarulhos-Manaus-Guarulhos sairá US$ 10 mil mais caro. Isso representa US$ 140 a mais por quilo de carga. "É claro que isso será repassado ao consumidor", diz ele. Na avaliação desta mesma fonte, a medida dificilmente fará com que essa carga seja transferida para Viracopos, como pretende o governo, dada que a boa parte da carga em Guarulhos é transportada na barriga dos aviões de passageiros. "Hoje 80% da carga aérea já está concentrada em Viracopos", explica. "E o aeroporto de Campinas só não é mais usado por causa de assaltos na Rodovia dos Bandeirantes." Na sua opinião, não adianta o governo querer transferir demanda para outros aeroportos, se ele não têm condição de absorver demanda. "Tem muita carga de autopeça que poderia chegar em Curitiba de avião, mas que tem de ir pela estrada - com todo custo de frete e de escolta - pois a pista de Curitiba não tem capacidade." Segundo essa fonte, as companhias cargueiras fizeram, a pedido da Anac, uma série de sugestões alternativas para o aumento de tarifas. Entre elas, manter a tarifa atual para o horário da madrugada - que é quando as empresas cargueiras mais usam o aeroporto - e aumentar apenas a tarifa diurna. "Nenhuma sugestão foi aceita pela doutora Solange. Não existe diálogo", diz a fonte.

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