Pacote de Jobim se resume a 1 medida

De todas as restrições impostas para Congonhas somente a redução dos pousos e decolagens foi mantida

Bruno Tavares e Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

13 de julho de 2008 | 00h00

Apenas um item do amplo pacote de medidas anunciado em 2007 pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, para desafogar o Aeroporto de Congonhas e aumentar a segurança das operações continua em vigor. O número de pousos e decolagens, que, antes da tragédia do vôo 3054 da TAM , chegava a 44 por hora, hoje é de 34 - 30 para a aviação comercial e 4, para a geral (táxis aéreos e jatos executivos). Mais informaçõesNa prática, o terminal que teve sua utilização colocada em xeque após o acidente continua sendo um dos mais movimentados do País, atrás somente do Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos. Outros dois projetos anunciados com alarde na mesma ocasião - a construção de um terceiro aeroporto para atender a demanda de São Paulo e a instalação de áreas de escape em Congonhas - continuam engavetados.As restrições impostas pelas autoridades aeronáuticas começaram a ser revistas em janeiro deste ano. Na mesma entrevista coletiva em que decretou a "inviabilidade técnica" da terceira pista de Cumbica, Jobim revogou a norma que proibia escalas e conexões de vôos em Congonhas, apontadas como as maiores culpadas pelo colapso da malha aérea do País. O ministro também permitiu a volta dos vôos fretados para o aeroporto, mas limitou as operações aos fins de semana. Por fim, o governo cedeu às pressões das empresas e de governadores do Nordeste e recuou da decisão de vetar vôos de mais de 1,5 mil quilômetros de distância com origem ou destino em Congonhas.O comandante aposentado Carlos Camacho, diretor do Sindicato Nacional dos Aeronautas, considera que os perigos e riscos de Congonhas continuam por lá, sem que o governo tenha feito nada para diminuí-los ou resolvê-los. "Eu fico perplexo quando vejo que Congonhas voltou a ser o mesmo monstro que era antes", diz. "Mesmo com tudo o que foi dito nos meses seguintes ao acidente da TAM, não mudou quase nada ali, continua sendo o mesmo hub (centro de distribuição de vôos) de sempre."Camacho chama a atenção para a segurança da pista de Congonhas, que não comportaria os aviões de grande porte que continuam pousando e decolando dali. "A pista não admite uma única falha simples nos freios ou o não-acionamento dos spoilers. Se isso ocorrer em Guarulhos, há área de escape para o piloto conseguir parar a aeronave. Mas, em Congonhas, se acontecer uma falha simples em um avião teremos um novo acidente e novas mortes."Para Respício do Espírito Santo Filho, professor de Transporte Aéreo da UFRJ e presidente do Instituto Cepta, especializado em estudos do transporte aéreo, as mudanças propostas para Congonhas que não saíram do papel foram "reações emocionais", e não técnicas. "Foram reações políticas em um momento delicado, de tragédia, mas não houve estudos ou grupos de trabalho para embasar qualquer decisão", diz. "Mesmo retirar slots da aviação geral e diminuir o número de operações não teve justificativa técnica, foi um retrocesso. Congonhas é seguro dentro dos níveis técnicos internacionais. Pode melhorar, mas o custo político e econômico é tão grande que se mantém o aeroporto da forma que está."

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