Pacote vai propor redução nas tarifas de pedágio em SP

O governo de São Paulo deve apresentar em breve à Assembléia um pacote de medidas para reduzir a tarifa dos pedágios. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) já afirmou, após ser reeleito, que pretende reavaliar a questão. A proposta que está em análise pela Agência Reguladora de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) prevê que as concessionárias poderão usar a faixa de domínio - 5 a 10 metros ao longo das estradas - para vender publicidade e determina a extinção das praças deficitárias. O presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), Moacyr Duarte, questionou aspectos do projeto, como a extinção. Segundo a Artesp, as praças deficitárias nos 1.900 quilômetros de pista simples - que não foram duplicadas - serão extintas. A concessionária seria ressarcida descontando a perda de receita do ônus - espécie de aluguel - pago mensalmente ao governo. Das 12 concessionárias do Estado, só duas, a Autoban e a Ecovias, não têm pistas simples. A Artesp calcula que em 10 das 33 praças em pista simples a receita do pedágio represente até 50% do custo de manutenção, o que as tornaria inviáveis. A receita da publicidade, por sua vez, seria aplicada integralmente na redução da tarifa. O projeto vem sendo estudado desde maio e ainda não há prazo para mandá-lo à Assembléia, mas a assessoria legislativa do governo já faz estudos para verificar a viabilidade jurídica e técnica da proposta. "Na nossa visão, as receitas com a publicidade não ultrapassarão 5% das dos pedágios", disse o presidente da ABCR. Para ele, a extinção das praças em pista simples pode trazer problemas às concessionárias. "Se não houver pedágio, o tráfego será induzido naquela rodovia, que não estará preparada para receber um volume maior de veículos." Segundo a Artesp, se verificada essa possibilidade, a praça não será retirada. A proposta foi bem recebida pela Federação das Empresas de Transporte de Cargas. "O pedágio chega a representar 22% do frete. Uma redução é bem-vinda", disse o presidente da entidade, Flávio Benatti. O despachante Antonio Carlos Scudeler, de Sorocaba, reclama toda vez que paga o pedágio de Alambari, na Raposo Tavares, para ir até Itapetininga. Ele reagiu com espanto ao saber que o governo estuda a retirada de pedágios. "A estrada pode ficar abandonada, como era antes." Ele acha que o governo deveria apressar a duplicação. Para o caminhoneiro Oswaldo Amorim, de Avaré, rodovia sem pedágio é sinônimo de estrada ruim. "Ande pela Raposo fora do trecho pedagiado para ver do que estou falando." Ele sugere reduzir tarifas ou criar horários de passagem livre. Sem pararOntem, Alckmin anunciou o fim da taxa mensal de R$ 5,00 do TAG eletrônico, o pedágio sem parar. Com isso, o governo acredita que mais motoristas vão aderir ao sistema, no qual a cobrança é feita na conta corrente.

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