Padaria comunitária fecha por falta de verbas em SP

Projeto considerado exemplar pela Prefeitura, a padaria comunitária de Cidade Tiradentes, na zona leste, está fechada há mais de dois meses. E não há prazo para ser reaberta, segundo informou nesta quinta-feira a Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (Cohab). O motivo é a falta de recursos, apesar de ser citada pelo órgão como um exemplo de ação de inclusão social na periferia da capital. "Colocam um papel dizendo que vai abrir amanhã, mas o amanhã chega e a padaria está sempre fechada. Só abrem quando tem um evento oficial por aqui", criticou a moradora Maria Cícera de Araújo, de 39 anos. Segundo ela e outros vizinhos do conjunto Santa Etelvina 3, a padaria comunitária funcionou por algum tempo, trouxe esperança de uma nova oportunidade, mas permaneceu mais tempo fechada do que aberta. "É uma tremenda decepção. A prefeita veio inaugurar, divulga para todo mundo que tem um ´belo´ projeto, mas não vem mais aqui para ver que nada disso funciona", afirmou o eletricista Cleiton Dias Filho, de 45 anos. Inaugurada em outubro de 2001 pela prefeita Marta Suplicy, a padaria comunitária integra o programa Viver Melhor e é parte de um projeto piloto de Cidade Tiradentes. Entre as atividades previstas, estavam cursos de panificação e a oferta de café da manhã gratuito, das 5h30 às 7h30, para os moradores dos conjuntos habitacionais. A refeição era composta de um pãozinho com manteiga e café com leite. No restante do dia, o local funcionaria como um ponto comercial, com renda revertida para financiar o projeto. "A Prefeitura disse que deveríamos fazer uma comercialização dos pães e com esse lucro reverteríamos em doação os 500 cafés da manhã", explicou a coordenadora da ONG Comunidade Kolping de São Francisco de Guaianases, Fátima Rodriguez e Souza. Mas, segundo Fátima, durante a tarde, só eram vendidos 100 pães. Agora, como um novo convênio com a Prefeitura só prevê pagamento do salário de um padeiro-instrutor, a refeição matinal gratuita será reduzida para um pãozinho com manteiga servido com chá. "O Fome Zero está recebendo doações e bem poderia repassar alguma coisa para reforçar o nosso café da manhã." O subprefeito de Cidade Tiradentes, Vilson Augusto de Oliveira, explicou que o fim de um convênio com uma secretaria interrompeu o projeto. A ONG não tem recursos para reabri-la. Se conseguir, dará cursos preferencialmente para jovens da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem) em liberdade assistida. A Assessoria de Imprensa da Cohab informou que o órgão apenas cedeu o espaço. Vizinho a ele funciona um telecentro e uma unidade do Programa Saúde da Família, ambos em atividade.

Agencia Estado,

11 de abril de 2003 | 03h46

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