Padilha nomeia mais um petista para a Saúde

Jarbas Barbosa ocupará a Secretaria de Vigilância, cujo antecessor era ligado ao PMDB; Funasa é razão central de conflitos

Eugênia Lopes, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2011 | 00h00

Uma semana depois de substituir o titular da Secretaria de Atenção à Saúde (SAS) à revelia do PMDB, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, nomeou ontem o petista Jarbas Barbosa para a Secretaria de Vigilância em Saúde. Barbosa é ligado ao ex-ministro e senador eleito Humberto Costa (PT-PE) e já ocupou o mesmo cargo durante a passagem do petista na Saúde.

Os peemedebistas evitaram comentar a nova nomeação feita por Padilha. "Isso não é crise. Crise seria se tivessem nomeado alguém para a Funasa", minimizou o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

A eventual nomeação de um petista para a presidência da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), cargo da cota do PMDB, desencadeou a primeira crise no governo de Dilma Rousseff.

A secretaria de Vigilância em Saúde é uma das mais importantes do Ministério. Ela é responsável por ações de combate à dengue e pelo programa de prevenção da Aids. O antecessor de Jarbas Barbosa era Gerson Penna, ligado ao ex-ministro José Gomes Temporão (PMDB).

A disputa por cargos de segundo escalão no Ministério da Saúde deu origem à guerra entre PT e PMDB. O estopim foi a Secretaria de Atenção à Saúde: Padilha exonerou do cargo Alberto Beltrame, e colocou lá Helvécio Martins, ex-secretário de Saúde de Belo Horizonte, por indicação do PT mineiro. Embora os R$ 45 bilhões dessa secretaria não estejam carimbados para investimentos - são repasses ao SUS -, o partido que ocupa o posto tem grande visibilidade no País, o que se traduz em votos.

Depois de nomear Helvécio Martins, o ministro Padilha tentou mudar a presidência da Funasa, com orçamento de R$ 5 bilhões e cerca de R$ 1 bilhão para saneamento nas pequenas cidades. A Funasa é feudo do PMDB, e o atual presidente Faustino Lins é indicação do líder do partido na Câmara, Henrique Alves (RN). Para o lugar de Faustino, o PT de Minas Gerais indicou o empreiteiro Gilson de Carvalho Queiroz Filho, presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Minas Gerais (Crea/MG).

Os peemedebistas, que ainda tentam impedir essa nomeação, dizem que a indicação de Gilson corre riscos, pois sua empreiteira já fez obras para a Funasa, e é alvo de uma tomada de contas especial no Tribunal de Contas da União (TCU).

Em represália à eventual substituição na Funasa, os peemedebistas ameaçaram votar a favor de um salário mínimo superior aos R$ 540 estipulados pelo Planalto. Diante da ameaça, Dilma suspendeu nomeações polêmicas do segundo escalão até o mês que vem.

Assessores. O Diário Oficial de ontem também publicou a nomeação de seis assessores para o gabinete pessoal de Dilma Rousseff. Parte dos assessores trabalhou com a presidente na época em que ela era ministra da Casa Civil, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, e integrou a equipe de transição para o novo governo. Foram nomeados Mauricio Muniz Barreto de Carvalho, Anderson Braga Dorneles, Marly Ponce Branco, Cleonice Maria Campos Dorneles, Rosária de Fátima do Carmo e Georgina Fagundes Correia.

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