Reprodução/Polícia Civil
Reprodução/Polícia Civil

Padre é condenado a 33 anos de prisão por estupro de vulnerável 

Sacerdote está preso desde junho do ano passado, depois que pais procuraram a Polícia Civil e relataram casos

Fábio Bispo, especial para O Estado

09 Maio 2018 | 13h56

FLORIANÓPOLIS - O padre Marcos Roberto Ferreira, 37 anos, foi condenado a 33 anos, dois meses e seis dias de prisão, em regime fechado, pelo crime de estupro de vulnerável. Os casos foram registrados em maio do ano passado, em Santa Catarina, quando o sacerdote levou cinco crianças e adolescentes para um retiro na cidade de Joinville. 

O caso, julgado na última segunda-feira, 8, diz respeito a abusos cometidos contra dois menores, de 12 e 13 anos, um deles afilhado do réu. A defesa do padre nega as acusações e diz que ele vai recorrer da decisão.

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A Diocese de Joinville se manifestou por meio de nota e informou que Marcos está afastado do ministério sacerdotal desde que as denúncias foram conhecidas, em junho do ano passado. O processo corre em sigilo para preservar as vítimas. O padre também recebeu sentença de dois anos e quatro meses de prisão em regime semiaberto por ter dado bebida alcoólica a crianças e adolescentes.

Marcos está preso desde junho de 2017 em São Francisco do Sul, após a Polícia Civil de Santa Catarina levantar a existência de pelo menos cinco casos de abusos cometidos nas cidades de São Francisco do Sul e Joinville. Em um dos casos, os policiais utilizaram como prova a troca de mensagens entre uma das crianças e os pais. A vítima, de 13 anos e natural de São Francisco do Sul, participava de um retiro em Joinville quando se trancou no banheiro e pediu que os pais fossem buscá-lo com medo dos atos do padre.

Os casos teriam ocorrido na Paróquia Santa Paulina, em São Francisco do Sul, e em retiros religiosos organizados pelo padre. À Polícia, familiares das vítimas relataram que o padre frequentava suas casas e mantinha contato de proximidade com as crianças além do aceitável.

Padre foi removido de paróquia antes de casos virem à tona.Das 15 testemunhas ouvidas durante o inquérito policial, apenas uma delas teria dito que não via maldade na relação do padre com as crianças. Quando os casos vieram à tona, Marcos tinha sido removido havia pouco tempo de São Francisco do Sul para Joinville e, mesmo assim, continuava levando crianças das cidades por onde passou para seus retiros religiosos.

Ainda em nota, a Diocese de Joinville afirmou que, diante da condenação em primeira instância, "continuará o processo canônico que culminará na redução ao estado laical do referido padre, ou seja, definitivamente não exercerá mais o ministério sacerdotal". 

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