Padre é detido por dirigir embriagado e por desacato

Considerado o mais querido e popular de São José do Rio Preto, a 440 quilômetros de São Paulo, onde dirige a Catedral de São José (a igreja matriz da cidade), o padre Aparecido Donizete Bianchi foi detido na madrugada desta terça-feira, 26, e levado algemado ao Plantão Policial, sob acusação de desacatar três policiais militares e de dirigir embriagado. Bianchi foi parado numa blitz por volta da 1h30, quando dirigia seu Kadet pela Rua General Glicério, no Calçadão. Os PMS suspeitavam de embriagues do motorista. Segundo eles, ao ser parado para a revista, Bianchi os desacatou e ainda aproveitou o som alto do carro para rebolar e fazer gestos obscenos ao som de uma música do conjunto É o Tchan. Os PMs relataram no boletim de ocorrência que, mesmo depois de ser reconhecido, o padre teria continuado com o "show" ao arremedar as palavras ditas por eles. "O senhor está desrespeitando autoridade" e "É melhor ficar quieto", foram, segundo os PMs, duas frases repetidas pelo padre, em tom de deboche. Bianchi ainda teria acusado os PMs de estarem interessados em receber dinheiro para liberá-lo, disseram os policiais. "Quando vimos que era o padre, ainda tentamos acalmá-lo, mas parecia que ele estava dominado", disse um dos PMs, que pediu para não ser identificado. "A situação chegou a um ponto que não tivemos outra opção senão levá-lo ao Plantão Policial", acrescentou. No Plantão, o padre passou por exames de dosagem alcoólica e foi liberado depois da chegada de um amigo. O caso está no 1º DP. O delegado Genival Ribeiro Santos diz que o padre relatou que os PMs o ofenderam com palavras de baixo calão e agiram com truculência. "Ele alega que chegou a ser ferido no pulso ao ser algemado", diz Santos. Segundo o delegado, o padre ainda disse que foram cinco PMs que o insultaram, mas apenas três se apresentaram no Plantão. Santos disse esperar resultado dos laudos de exames de dosagem alcoólica e de corpo de delito para prosseguir com o inquérito, que vai apurar, por enquanto, crime de desacato, mas se ficar comprovado que os PMs exageraram, estes responderão por abuso de autoridade. Quanto ao crime de dirigir embriagado, o delegado diz que só o laudo vai definir se ele existiu. Fiéis ouvidos pelo Estado custaram a acreditar na história. "Não acredito, há alguma coisa errada nisso", disse a aposentada Maria de Lourdes Gouvêa, moradora no centro. Até mesmo o delegado Santos se disse surpreso ao ver o boletim de ocorrência com o nome do padre. "Ele é muito conhecido e bem conceituado na cidade", diz Santos. No entanto, nem o padre e nem o bispo de Rio Preto, dom Paulo Mendes Peixoto, foram encontrados nesta terça para falar sobre o assunto. O bispo estaria em Minas Gerais, de férias. Na casa de Bianchi e na Catedral, os telefones ficaram mudos durante todo o dia.

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