Padre é investigado por corrupção de menores no Pernambuco

Delegado diz que, em troca de presentes, coroinhas tiveram relações sexuais com pároco, que nega

Angela Lacerda, de O Estado de S.Paulo,

04 de abril de 2008 | 20h37

O pároco de Itapissuma e Itamaracá, municípios da região metropolitana do Recife, situados no litoral norte, padre Rômolo Avagliano Rodrigues, de 46 anos, é alvo de investigação da polícia civil, por suposto crime de corrupção de menores e atentado violento ao pudor.   As investigações tiveram início depois que um ex-funcionário da paróquia de Itapissuma e dois ex-coroinhas fizeram a denúncia contra o padre ao delegado Aníbal Moura, da 8ª Seccional da Polícia Civil. O delegado, que poderá disputar a prefeitura de Itapissuma, se afastou nesta sexta-feira, 4, das suas funções. O caso, por envolver menores, ficará a cargo da delegada Inalva Regina, da Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente (GPCA). O inquérito será acompanhado pelo Ministério Público estadual.   As supostas vítimas do pároco disseram ao delegado terem tido contato sexual com o religioso em troca de celulares e videogames, no ano de 2002, quando tinham idade entre 13 e 18 anos. Os abusos teriam acontecido na casa paroquial de Itapissuma e em casas de praia de Itamaracá.   "Ele abusa de menores, notadamente coroinhas, na confiança da família, e pagando os serviços sexuais com presentes às famílias carentes", afirmou o delegado. O método, utilizado com coroinhas ou auxiliares tinha o mesmo padrão. "Ele afirmava ter um problema sexual, pedia para o adolescente passar óleo nas suas costas e depois pedia para ser penetrado", afirmou o delegado, para quem há indícios de que o padre ainda mantém o mesmo comportamento.   "Hoje (sexta-feira) mesmo recebi uma informação de uma pessoa que ligou para dizer que houve abuso sexual por parte do padre na sua família". A pessoa telefonou para apoiar a apuração e foi encaminhada, pelo delegado, para ser ouvida pela delegada Inalva Regina.   Padre há 23 anos, o pároco nega as acusações e diz ser vítima de perseguição política por parte do delegado Aníbal Moura, porque mandou despejar um amigo do policial que não estava pagando o aluguel de uma casa de propriedade da paróquia.   Seu advogado, Adelson Sobral, adiantou ter formalizado uma representação contra Aníbal Moura e irá notificar criminalmente os denunciantes. "A denúncia é falsa, eles responderão por calúnia e difamação", adiantou, ao lamentar pela imagem do padre, "já atingida e violentada" diante da divulgação das "denúncias caluniosas, forjadas a partir de uma questão político-partidária".   Moura assegura desconhecer essa história do aluguel, que considera fantasiosa. "A história é grave, não se trata de uma acusação minha, trata-se de constatação de uma apuração", afirmou o delegado, ex-chefe-geral da polícia civil no Estado. Para ele, a reação do pároco é natural. "Ele não tem o que dizer". O delegado assegura que metade da população de Itapissuma - com 26 mil habitantes - sabe do desvio de comportamento do padre. Faltava coragem para denunciar.   Adelson Sobral prometeu fazer um pronunciamento à imprensa tão logo tenha acesso ao inquérito policial. "Vamos explicar toda a situação e mostrar a correlação entre a ação de despejo e o início do inquérito", disse ele. "Foi tudo forjado". Segundo o advogado, o inquilino do imóvel é cabo eleitoral do pré-candidato e a casa, situada em local central de Itapissuma, deveria ser usada durante a campanha.   O arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho está em Itaici na Conferência Nacional dos Bispos e ainda não tinha conhecimento do caso, que se tornou público depois de matéria publicada na edição desta sexta no Jornal do Commercio. O vigário-geral da Arquidiocese, monsenhor Edvaldo Bezerra, prevê que o pároco seja afastado da paróquia.

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