Padre e noviço são presos por matar padre

A polícia de Goiás prendeu o padre Moacir Bernardino da Silva, de 60 anos, e o noviço Dairan Pinto de Freitas, de 23 anos, acusados de assassinar, por envenenamento, o padre Adriano Moreira Curado, de 28 anos. O crime ocorreu em abril de 2002, na paróquia Bom Jesus, no Jardim Novo Mundo, em Goiânia, em uma trama que envolve luta pelo poder na igreja, sexo e dinheiro. A decisão de prender o padre Moacir e noviço foi tomada na segunda-feira pelo juiz Jesseir Coelho de Alcântara, da 1ª Vara Criminal de Goiânia, que baseou-se em pedido apresentado pelo Ministério Público.O juiz afirmou que "há indícios da autoria do homicídio de forma bárbara e cruel", justificando a detenção imediata dos acusados. O padre Moacir foi preso em Guapó, a 30 quilômetros de Goiânia, onde atuava como pároco. O noviciado foi preso na casa dos pais em Bela Vista, a 35 quilômetros de Goiânia. Segundo o promotor Élvio Vicente da Silva, o padre Adriano foi executado porque ameaçava denunciar irregularidades da gestão do padre Moacir. Ele também dizia que iria acabar com a devassidão na paróquia.A polícia apreendeu revistas pornográficas e fitas de vídeo, nas quais o padre Moacir aparece numa praia em Natal, na companhia de vários rapazes, entre eles Dairan. O promotor apurou que o padre e o rapaz mantinham um relacionamento homossexual e assassinaram Adriano para que o escândalo não viesse a público. Entre as provas apresentadas à Justiça está uma escuta telefônica, na qual ficou provado que o telefone da igreja era usado para organizar encontros entre rapazes e o padre.A Igreja emitiu uma nota de desagravo ao padre Moacir e acusou a forma "tendenciosa e leviana" com que a polícia investigou o caso. Os advogados do padre Moacir entraram com um pedido de habeas-corpus em favor do religioso, que está preso em uma cela individual. Dairan Freitas foi colocado em uma cela comum com outros presos. A notícia da prisão do padre Moacir e do estudante Dairan Freitas foi comemorada pelos pais do padre Adriano. "A justiça começa a ser feita", disse Agnaldo Moreira Curado, de 62 anos. "Meu filho foi morto porque ameaçava moralizar a paróquia."

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