Reprodução/Missionários Combonianos do Coração de Jesus
Reprodução/Missionários Combonianos do Coração de Jesus

Padre morto em Rondônia nos anos 80 é indicado a ‘padroeiro’ do Sínodo da Amazônia

Ezequial Ramin, italiano assassinado em meio a conflito entre indígenas, sem-terra e fazendeiros, tem aval de 200 bispos brasileiros

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2019 | 21h09

SÃO PAULO – Um grupo de 200 bispos brasileiros assinou um pedido ao papa Francisco para que o Sínodo da Amazônia tenha como seu padroeiro o padre Ezequiel Ramin, italiano morto no Brasil em 1985. Os bispos também pedem sua beatificação e que ele seja reconhecido pela Igreja Católica como mártir, informa o Vatican News – veículo oficial do Vaticano.

Natural de Pádua, no norte da Itália, Ramin passou cinco anos como missionário no Brasil até sua morte. Ele foi baleado aos 32 anos na região de divisa entre Rondolândia no Mato Grosso, e Cacoal, em Rondônia. O assassinato veio após uma crescente tensão entre indígenas e sem-terra, de um lado, e fazendeiros, de outro. 

“Padre Ezequiel teve a intuição de propor que somente unidos, índios e camponeses sem terra seria possível melhorar a situação de todos. Colocou na cabeça dessas pessoas a necessidade da convivência na diversidade”, disse ao Vatican News o padre Arnaldo Baritussio, postulador da beatificação. Ele destacou “a sua capacidade de unir e de criar comunhão”.

Em Rondolândia, uma romaria com cerca de 500 pessoas lembrou os 34 anos da morte de Ramin na última quarta-feira, 24. 

Sínodo

Em outubro, o Vaticano sediará uma reunião com bispos de todos os continentes para discutir problemas relacionados à Amazônia, de questões ambientais ao combate à pobreza. O Estado mostrou que, no início do ano, o Palácio do Planalto considerava a Igreja como potencial opositora, e que escritórios da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foram mobilizados para acompanhar reuniões preparatórias. O ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, chegou a falar em “neutralizar” o que o governo considera como uma “agenda da esquerda”. 

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