Padre pedófilo se entrega à polícia mineira

O padre pedófilo Sebastião Braga, de 33 anos, que foi flagrado pela câmera de um celular fazendo sexo com crianças dentro da Casa Paroquial da cidade de Comendador Gomes (MG), no Triângulo Mineiro, se entregou à polícia na tarde desta segunda-feira, 18. Ele acabou confessando os crimes e disse ter feito tudo inconscientemente. Eles está sendo acusado de corrupção de menores e atentado violento ao pudor.Após uma semana foragido e acompanhado por dois advogados, o padre apresentou-se ao delegado de polícia de Frutal, Rodolfo Rosa. Em um depoimento de 1h30, disse, inicialmente, que foi coagido pelos menores com uma faca. Depois, através das imagens retiradas do celular de um dos menores e transmitidas em um computador, ele acabou confessando que fez sexo oral com os meninos, um de 11 e outro de 16 anos de idade.Disse que não estava fugindo da polícia. Apenas não sentiu-se bem e foi com o carro da Paróquia até Uberaba, onde deixou o veículo, informando aos seus superiores que iria para a casa de parentes se tratar.De Uberaba foi ônibus até Patos de Minas e, de lá, para uma fazenda de seus irmãos em Lagoa Formosa, também em Minas. "Eu não estava fugindo da polícia. Lá eles não me procuraram", teria dito o padre Sebastião no depoimento, revelando ainda que somente ficou sabendo que estava sendo investigado através da imprensa. No final do depoimento foi direto para uma cela da cadeia pública de Frutal, onde vai ficar sozinho por ter curso superior de Teologia e Filosofia.Na semana passada, assim que a notícia foi divulgada, o arcebispo metropolitano de Uberaba, Dom Aloísio Roque Oppermann, anunciou o desligamento do padre Sebastião Braga de todas as atividades religiosas até o encerramento das apurações sobre o caso. Assim, ele não poderá fazer uso de ordens sacerdotais. Isso significa que de forma alguma ele pode dirigir qualquer departamento da Igreja, não pode falar em nome da Igreja, não pode mais celebrar a eucaristia e nenhum sacramento.Conforme a decisão da igreja católica, o padre Sebastião também não tem autorização para exercer qualquer cargo administrativo dentro da Igreja. A suspensão do pároco vai se estender até a apuração dos fatos. "Queremos esclarecimentos disso tudo", disse Dom Roque, que também se solidarizou com as famílias dos menores dizendo que quer "mostrar a elas todo meu carinho e minha atenção humana e cristã".Em entrevista coletiva na semana passada, Dom Roque também fez um pedido à comunidade: "Quero pedir ao nosso querido povo que, diante de notícias tão ruins, não deixe de confiar nos nossos padres, sob tantos títulos, merecedores da mais alta consideração. Um possível erro não invalida a generosidade e o espírito de doação de tantos padres, que dão tudo de si em favor do povo", concluiu.

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