AO VIVO

Acompanhe notícias do coronavírus em tempo real

Padre pode ter sido vítima de gangues

O padre italiano Luís Lintner de 62 anos, assassinado ontem no bairro periférico de Cajazeira 5, em Salvador, pode ter sido morto pelas quadrilhas que atuam na área, devido ao seu trabalho social de recuperar jovens envolvidos com o crime. A tese é do presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara Federal, deputado Nélson Pelegrino (PT-BA), amigo do religioso, que estranhou a versão da polícia segundo a qual o padre foi morto porque resistiu a um assalto."Há poucos dias, a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa da Bahia promoveu uma audiência pública no bairro devido ao grande índice de criminalidade do local. Na oportunidade, padre Luís relatou estar protegendo um rapaz ameaçado de morte pelas gangues", contou, achando que o religioso pode ter sido executado por esse motivo. "Não se pode aceitar a versão do assalto, pelo fato de padre Luís ser muito conhecido no bairro". Pelegrino pediu ajuda do Ministério da Justiça para apurar o crime assinalando que a Comissão de Direitos Humanos da Câmara vai acompanhar de perto as investigações. "Queremos transformar a morte do padre num caso exemplar para que se combata efetivamente a violência na Bahia, que atingiu níveis insuportáveis", comentou, informando a realização na segunda-feira de uma reunião entre os membros da comissões de Direitos Humanos da Assembléia baiana e Câmara Federal para discutir a violência no Estado.Padre Lintner foi morto quando chegava à sua residência, após celebrar missa na Igreja da Santíssima Virgem Maria de Nazaré. No momento que desceu do carro para abrir o portão da garagem foi abordado por um homem armado com pistola, que anunciou o assalto e pediu as chaves do veículo. Lintner teria reagido, na versão da polícia, e morto com dois tiros. O assassino fugiu com o carro. Na manhã de hoje o Departamento de Polícia Técnica divulgou o retrato falado do suspeito.O religioso chegou ao Brasil em 1980 e em 1994 foi indicado pároco de Cajazeira 5, onde desenvolveu intenso trabalho social em paralelo ao evangélico. Em 97 inaugurou o centro comunitário da paróquia, voltado para o acompanhamento de crianças, adolescentes e suas famílias carentes. A comunidade de Cajazeira organizou uma missa no domingo em homenagem ao padre, cujo corpo deve ser trasladado para a Itália.

Agencia Estado,

17 de maio de 2002 | 13h01

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.