Padre que trabalhava com meninos de rua é morto

Adolescente deu tiro de espingarda no religioso quando ele saía da casa de amigos, no Recife; suspeito foi detido na escola e confessou o crime

Angela Lacerda, O Estadao de S.Paulo

21 de março de 2009 | 00h00

Fundador e coordenador do Movimento de Apoio aos Meninos de Rua (Mamer), em Jaboatão dos Guararapes, região metropolitana do Recife, o padre espanhol Ramiro Ludeño y Amigo, de 64 anos, foi assassinado por um adolescente de 16 anos, na noite de anteontem, com um tiro de espingarda calibre 12. O rapaz, cuja identidade não foi revelada, acabou apreendido ontem pela polícia e confessou o crime. Ele foi encaminhado para a Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente (GPCA), onde seria autuado por homicídio e depois seguiria para a Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase).De acordo com a delegada de Homicídios e Proteção à Pessoa, Sylvanna Lellis, responsável pelas investigações, o adolescente disse que a intenção era a de assaltar. A arma estava engatilhada e ele a disparou, pelo lado do carona da caminhonete, que estava com o vidro fechado, porque pensou que o motorista (o padre) iria reagir. O disparo fez o rapaz cair, diante do impacto da arma. Ele então a pegou e saiu correndo. Foi encontrado na Escola Mariano Teixeira, no bairro de Areias, no Recife, onde estudava. A arma estava em sua casa, no mesmo bairro. O padre saía da casa de amigos, em Areias, acompanhado por duas mulheres que já trabalharam com ele no Mamer, quando foi agredido. Ele estava com a caminhonete ligada, para ir embora. Uma das mulheres ficou no banco de atrás e a outra, no do carona. Depois do disparo, o religioso foi socorrido ao Hospital Português, onde morreu.O padre era um ativista social, com trabalho reconhecido. Ele chegou ao Brasil em 1974. Há 20 anos, criou o Mamer, diante da quantidade de crianças e adolescentes que via nas ruas de Jaboatão dos Guararapes, muitos vendendo picolé ou amendoim, sempre em situação de vulnerabilidade e caindo facilmente na vida do crime e da violência. No Mamer, os jovens recebiam educação profissionalizante e acompanhamento psicológico. Cerca de 5 mil crianças e adolescentes foram atendidas ali. "Cada um pode dar um pouquinho de si para que os outros tenham uma vida melhor", disse em dezembro, em entrevista à TV Globo.ENTERROSeu corpo seria velado ainda ontem no município de Ribeirão, na zona da mata, onde era pároco. O enterro está previsto para a tarde de hoje, no Cemitério da Saudade, em Jaboatão. O prefeito Elias Gomes (PSDB) decretou luto de três dias.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.