Padre quer usar macacos e gaviões para afastar pombos

Insatisfeito com a demora numa solução para o problema da infestação de pombos na Praça da Catedral, no centro de Ribeirão Preto, o padre Francisco Jaber Zanardo Moussa prometeu ser radical daqui pra frente e avisou que assumirá toda a responsabilidade pelos seus atos. E já começou no final de semana, em seis missas, entre sábado,7, e domingo, 8, distribuindo cerca de 2 mil folhetos com um manifesto. O conteúdo do texto informa aos fiéis da igreja católica que o padre poderá usar gaviões, falcões e macacos como predadores para livrar a praça dos pombos. Outra alternativa seria usar um repelente feito à base de uva, que já foi testado, mas não oficialmente, em Sertãozinho, e que não é autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). "Eu gostaria de falar do desenvolvimento da cidade, mas infelizmente tenho que falar de cocô de pombos", lamenta o padre Moussa, que, em várias ocasiões, nos finais de tarde, antes de missas, solta rojões para tentar afastar as aves dos arredores da igreja. O pároco diz que a regional do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) foi "incompetente" e não encontrou uma solução ao problema em mais de um ano de reuniões e tentativas de afastar as aves do centro. Um grupo foi criado, envolvendo políticos, ambientalistas, mas ainda não surtiu efeito prático. A chefe do escritório regional do Ibama, em Ribeirão Preto, Eliana Velocci, disse que o órgão não tem competência para autorizar o uso do repelente à base de uva, atribuição que cabe à Coordenação-Geral de Avaliação e Controle de Substâncias Químicas, da Anvisa. Eliana ainda cita que o teste feito em Sertãozinho, que teria ajudado a afastar os pombos, configura um crime ambiental e que o Ibama só não abriu processo-crime contra a prefeitura e não fez autuações ou aplicações de multas porque nunca flagrou o uso do produto. "Ficamos sabendo pela televisão, mas nunca pegamos no ato", avisa ela. Problemas No caso de Ribeirão Preto, o padre cita que as fezes dos pombos causam cheiro ruim, sujeira e até prejudicam a saúde pública. Segundo ele, uma mulher que freqüenta a igreja estaria com toxoplasmose devido aos pombos. Eliana questiona, dizendo que nunca viu um atestado médico garantindo que algum problema de saúde foi causado pelas aves. "A solução eu já encontrei, quero é que resolvam", garante o padre Moussa, avisando que tomará providências dentro de 30 a 40 dias. Ele afirma que tem o apoio da comunidade, de comerciantes, ambientalistas e até de advogados. "E tenho o apoio de empresários para ajudar no orçamento", afirma ele. Eliana disse que já oficiou a prefeitura, a Vigilância Sanitária do município, o grupo criado na Câmara (do qual até ela participava) e até a promotoria do Meio Ambiente sobre o que teriam que fazer: pedir resposta da Anvisa, que ainda não veio. "Não entendo essa postura (do padre), de uma hora para outra", comenta ela. A chefe do escritório regional do Ibama ainda informou que se forem soltos animais silvestres no centro, como predadores dos pombos, o Ibama poderá fazer autuações de criadores e dos responsáveis, a partir de R$ 500 por animal. Sobre o uso irregular do repelente caberá multa de R$ 500 a R$ 2 milhões.

Agencia Estado,

09 Abril 2007 | 19h17

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