Padre vai para Roma e pede proteção para a mãe

Viagem de Júlio Lancellotti estava marcada antes de denúncia, dizem fontes da Arquidiocese

O Estadao de S.Paulo

19 Outubro 2007 | 00h00

O padre Júlio Lancellotti, vigário do Povo de Rua e integrante da Pastoral do Menor, vai viajar para Roma, na Itália. Segundo informações de integrantes da Arquidiocese de São Paulo, a viagem já estava marcada, mesmo antes de vir a público a denúncia feita pelo religioso de que ele estava sendo extorquido por um grupo de quatro jovens. Júlio Lancellotti atenderia a compromissos institucionais na Europa. Enquanto o religioso estiver na Itália, a segurança policial, oferecida na terça-feira pela 5ª Seccional, servirá para proteger a mãe dele. A Arquidiocese de São Paulo também pretende solicitar formalmente proteção ao padre da Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP). O Estado procurou ontem o religioso, que não quis confirmar a informação. Ele questionou a relevância da publicação da notícia e reclamou que as reportagens estão começando a ultrapassar os limites do respeito. "O que vocês desejam? Que eu coloque fogo no meu corpo na Praça da Sé?" O caso já começa também a ser explorado politicamente. Na tarde de ontem, a Comissão Permanente de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa aprovou a decisão de convidar o padre Júlio Lancellotti para que ele responda a perguntas de políticos. O protocolo para o convite foi encaminhado pelo deputado estadual Campos Machado (PTB). "Apesar das divergências ideológicas que venho tendo com o padre Júlio, a respeito da maioridade penal, sempre o tive na conta de um homem sério e honrado. A Assembléia nunca deixou de ser solidária às ações que o padre tem feito em favor dos menores e dos moradores de rua, o que justifica o convite a ele feito, para que a sua versão, seguramente a verdadeira, seja colocada." A extorsão é investigada pela polícia desde setembro e o achaque chegaria a mais de R$ 56 mil em um período de pelo menos três anos. Até o momento, apenas um integrante da quadrilha está preso: Everson dos Santos Guimarães. Anderson Marcos Batista, ex- interno da Febem, e a mulher, Conceição Eletério, além de Evandro dos Santos Guimarães, estão foragidos.

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