Padronização de sistemas foi decisiva no acidente da TAM

Exames de DNA foram feitos com rapidez porque Institutos de Criminalística de SP e RS se integraram

Marcelo Godoy e Vitor Hugo Brandalise, O Estadao de S.Paulo

18 de abril de 2009 | 00h00

A importância de um trabalho conjunto entre as polícias técnicas do País, com padronização de laudos e de bancos de dados, fica clara "nos momentos de maior dificuldade", conforme afirma o superintendente da Polícia Técnico-Científica de São Paulo (SPTC) - apontada como exemplo no País -, Celso Perioli. "Os exames de DNA no caso do acidente da TAM, em 2007, por exemplo, foram realizados rapidamente porque o sistema de consulta do Instituto de Criminalística do Rio Grande do Sul, onde vivia a maioria dos parentes das vítimas, é o mesmo utilizado em São Paulo", diz Perioli. "Os perfis genéticos dos parentes já vieram prontos de lá, para compararmos com o material dos corpos das vítimas, analisado aqui. Os sistemas eram integrados, tivemos acesso às informações em tempo recorde." As análises da perícia no acidente do voo 3054 da TAM, que matou 199 pessoas, somaram cerca de 400 extrações de material genético de DNA e 1.800 radiografias.Em março, quando o Departamento de Narcóticos - com quem a superintendência dividia o prédio no Butantã, na zona sul da capital - foi transferido para o centro, a SPTC ganhou cerca de 10 mil m² para abrigar os 17 núcleos que a compõem. Entre os setores priorizados estão o Núcleo de Informática e o de Identificação Criminal. "Eles sofrem com falta de espaço para armazenar o material que recebem e terão a área duplicada. Serão instalações moderníssimas", diz Perioli. Alguns desses aparelhos já estão funcionando. Para saber se uma fibra achada na camisa de um suspeito é a mesma do carpete da casa da vítima de homicídio basta o perito Mauro Menezes, do Núcleo de Química, analisar o material no microscópio com espectroscopia infravermelha. Depois, é só confirmar o resultado - o exame não destrói a amostra como ocorria com equipamentos e métodos antigos.Se a questão é saber se um entorpecente apreendido em uma casa tem a mesma origem da droga achada no carro de um traficante, a equipe da perita Lucilene Martins Kayo, do Núcleo de Análise Instrumental (NAI), pode usar o espectrômetro de massa ou os cromatógrafos líquido e gasoso. Na perícia é assim: o aparelho que facilita a investigação tem sempre nome complicado. É esse o caso de outro equipamento sob a responsabilidade de Menezes: a microfluorescência por raio X. Com ele o perito verifica se há fraude, por exemplo, na composição de joias, quando uma liga de prata e cobre pode ser vendida como se fosse ouro branco. Ao lado do laboratório de DNA e do microscópio eletrônico de varredura da SPTC, o NAI e o Núcleo de Química são as vedetes da perícia em São Paulo. Perioli se entusiasma com os resultados. "Se a gente tivesse isso antes..." Entre os peritos é assim: toda vez que recebem um equipamento novo, sempre pensam como ele podia ter sido útil no passado.

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