Paes cancela compra de terreno no Rio

Decisão foi tomada após 'Estado' revelar que a área pertencia a duas empresas que doaram R$ 245 mil ao prefeito

ALFREDO JUNQUEIRA , BRUNO BOGHOSSIAN / RIO , O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2011 | 03h01

A Prefeitura do Rio cancelou a compra de um terreno que pertencia à empresa controlada por doadores de campanha do prefeito Eduardo Paes (PMDB). O local seria usado para reassentar a favela Vila Autódromo, que dará lugar a instalações para a Olimpíada de 2016. A decisão foi tomada depois que o Estado revelou que a área, comprada por R$ 19,9 milhões, era de propriedade da Tibouchina Empreendimentos, empresa controlada pela Rossi Residencial e pela PDG Realty - incorporadoras que doaram R$ 245 mil para Paes em 2008.

O Diário Oficial do Município publicou ontem decreto que torna o terreno área de interesse social, para fins de desapropriação. Com a medida, inicia-se um processo judicial em que o valor da propriedade será estipulado após perícia. Os R$ 4,9 milhões da primeira parcela da compra serão depositados em juízo e, posteriomente, descontados do valor total estipulado pela Justiça.

Conforme o Estado revelou em 6 de outubro, Paes recebeu uma doação de R$ 200 mil da Rossi Residencial para sua campanha de 2008. Foi a maior contribuição que a empresa fez naquele ano. A PDG fez nove doações a Paes, no valor de R$ 45 mil. A campanha do prefeito arrecadou R$ 11,4 milhões.

De acordo com Paes, o cancelamento da compra ocorreu para que não haja nenhuma dúvida sobre a lisura da negociação: "Não sabia nem de quem era (o terreno) e, muito menos, se soubesse, também não me lembrava de que havia feito doação para a campanha. Essas coisas na vida não têm jeito. Não basta ser, tem de parecer sério". O prefeito disse ainda temer que a perícia judicial avalie que o preço do terreno fique acima dos R$ 19,9 milhões.

Por nota, a Rossi disse que não foi notificada sobre o cancelamento e, por isso, não comentará o assunto: "Vale destacar também que todas as doações realizadas por nós são de conhecimento público". A PDG Realty, também por nota, disse que não se pronunciaria sobre o caso.

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