Paes quer impor regras para os blocos de rua

De acordo com a norma, já polêmica, organizadores deveriam bancar banheiros públicos ou pagar o que já ficou conhecida como ?taxa-xixi?

Felipe Werneck, RIO, O Estadao de S.Paulo

16 de janeiro de 2009 | 00h00

Ao anunciar a criação de normas para "organizar o que não está organizado" nos tradicionais blocos de rua do carnaval carioca, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) disse que "não dá mais para a rua virar mictório" durante a passagem de foliões. Mas a intenção de cobrar "contrapartidas" dos organizadores desses blocos gerou protestos. Na primeira semana de governo, Paes assinou decreto que criou grupo de trabalho "destinado à elaboração de normas para a realização dos desfiles de bandas e blocos carnavalescos, visando à eficaz evolução dos cortejos no âmbito operacional e logístico".Ele mesmo traduziu o documento, em entrevista, quando criticou a sujeira nas ruas durante os desfiles, quando é comum que foliões urinem ao ar livre. "A gente tem um desafio enorme neste ano. O carnaval de rua precisa ser organizado. Vamos botar ordem na casa", afirmou. Indicado para a "tarefa", o secretário de Turismo, Antonio Pedro de Mello, disse que a prefeitura não poderia "ficar com todo o ônus" e que considerava justa a cobrança de uma "contrapartida" dos maiores blocos. Os organizadores desses blocos deveriam, portanto, ficar responsáveis pela instalação de banheiros químicos ou pagar a tal "contrapartida", que foi interpretada como uma "taxa-xixi".Participam do grupo representantes das secretarias de Turismo, Ordem Pública, Cultura, Transportes e da Companhia de Limpeza Urbana. O objetivo é definir horários, trajetos e a questão dos banheiros químicos. "Os blocos vão ter de se conscientizar. Queremos espontaneidade e alegria, mas com o mínimo de organização", declarou Paes.O prazo para apresentação de uma proposta ao prefeito é 8 de fevereiro, mas antes mesmo da primeira reunião organizadores de blocos protestaram. E a prefeitura parece ter recuado, apesar de negar oficialmente que tenha estudado a cobrança de taxas. Procurado ontem, o secretário informou, por meio de assessores, que só daria entrevista após reunião sobre o tema, marcada para quarta-feira. "Em nenhum momento o secretário falou sobre taxa. O que ele disse foi que um bloco com muito patrocinador poderia entrar com uma contrapartida", disse uma assessora. A hipótese de cobrança gerou comparações com o carnaval da Bahia e a venda de abadás.A presidente da Associação Independente de Blocos da Zona Sul, de Santa Teresa e do Centro (Sebastiana), Rita Fernandes, disse que a prefeitura "voltou atrás" em relação à contrapartida. "Acho que o secretário deu a declaração ainda sem muito conhecimento de causa. Mas ele abriu o diálogo e reviu a questão. Se virar negócio, pior para o carnaval do Rio." Segundo Rita, é difícil evitar que foliões urinem nas ruas e dar conta da quantidade de gente com banheiros químicos. "Não temos orçamento para isso. Os blocos não são de artistas. A gente não ganha dinheiro com venda de abadá." Ela vai sugerir à prefeitura que use caminhões-pipa para lavar as ruas. "Isso nunca foi feito. Vamos apresentar outras propostas." O Rio tem cerca de 200 blocos, segundo a Secretaria de Turismo. Um dos maiores e mais tradicionais é o Cordão do Bola Preta, que reuniu cerca de 150 mil pessoas no centro, em 2008.

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