Pagot denuncia grampo ilegal e cobra PF e Abin

Em entrevista após depoimento na Câmara, diretor do Dnit diz ter certeza de que está sob vigilância ilegal e cita conversas que indicariam ação de arapongas

João Domingos / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

14 Julho 2011 | 00h00

O diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antonio Pagot, disse que desde sua posse na autarquia, em 2007, está grampeado ilegalmente. Ele afirmou que já tem as provas de que é vítima de escutas ilegais e vai procurar a Polícia Federal para pedir providências sobre a ação dos arapongas.

Ele desconfia que por trás dos grampos estão a Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). "A PF e a Abin têm de responder por isso. Passo por um processo de investigação. Eles vão ter de explicar isso."

A certeza de que está sob vigilância ilegal - ação da qual já desconfiava - veio na noite do último dia 5. Segundo Pagot, nesse dia ele foi procurado por uma pessoa, por telefone. Dizendo-se irmão de um admirador dele, essa pessoa lhe perguntou se tinha um telefone fixo pelo qual os dois pudessem conversar.

"Eu estava na casa de um amigo. Perguntei se poderia passar o número dele. Dez minutos depois uma pessoa me ligou, disse que trabalha num órgão de segurança do governo e que daria provas de que eu sempre fui grampeado", contou Pagot.

"Do outro lado da linha, a pessoa perguntou se eu me lembrava de ter, por telefone, no ano passado, aconselhado um amigo de Mato Grosso a não se candidatar a deputado, sob o argumento de que ele seria massacrado na eleição. Eu me lembrava. Mas não fiquei convencido, porque o amigo poderia ter contado a conversa."

Em seguida, segundo Pagot, a voz do outro lado do telefone começou a dar detalhes de uma conversa dele com a filha Vanessa. Pagot disse que nessa hora se convenceu de que a pessoa sabia mesmo do conteúdo de suas conversas. "Esse diálogo entre pessoas de uma mesma família não poderia ter vazado se eu não estivesse grampeado."

Em seguida, o interlocutor teria perguntado a Pagot se ele costumava receber ligações de uma pessoa chamada Jorge Monteiro, pois tinha o registro de 110 ligações dele para o diretor do Dnit. "Trata-se de um compadre meu que mora no Amazonas, que foi meu motorista e trabalhou comigo no Paraná. Ele me liga frequentemente." De acordo com Pagot, a pessoa que o procurou narrou 11 conversas, todas de caráter quase pessoal.

"Tenho certeza de que se esses arapongas tivessem encontrado um deslize meu desde 2007, quando assumi o Dnit, já estaria preso e algemado", disse Pagot. "Já quebraram meu sigilo telefônico faz tempo." O relato foi feito pelo diretor do Dnit durante entrevista coletiva, logo depois de falar durante sete horas na Câmara dos Deputados.

Sob controle. A PF disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que a polícia só realiza escutas mediante ordem judicial e sob controle do Ministério Público. Acrescentou que não comenta quem são os alvos desse tipo de monitoramento legal e desconhece que Pagot seja um deles. A Abin não se manifestou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.