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Pai cobrará US$ 500 mil da família brasileira de Sean Goldman

Segundo americano, ressarcimento cobriria custos dos cinco anos de batalha judicial pela guarda de seu filho

Gustavo Chacra e Clarissa Thomém, de O Estado de S. Paulo,

30 de dezembro de 2009 | 11h39

David Goldman vai cobrar US$ 500 mil da família brasileira de seu filho Sean, de 9 anos, referentes aos gastos durante a batalha judicial pela guarda do menino ao longo de cinco anos. Uma das advogadas do pai biológico de Sean, que o acompanhou durante uma entrevista coletiva ontem em Tinton Falls, em New Jersey, afirmou que ele entrará na Justiça para exigir ressarcimento. O advogado da família brasileira, Sérgio Tostes, afirmou que a decisão "revela o caráter" do americano. "É apenas a prova de que o que ele sempre quis foi dinheiro. Esse é o interesse que o move", afirmou.

Nos Estados Unidos, críticos dizem, porém, que grande parte dos custos de todo o processo foram pagos pela rede de TV NBC. A emissora tem um contrato de exclusividade com Goldman para noticiar o caso da disputa pela guarda do garoto. A NBC confirma apenas ter pago pelo voo fretado para trazer pai e filho do Rio para Orlando, na semana passada.

Tostes lembrou que Goldman já havia recebido US$ 150 mil da família brasileira para encerrar a ação judicial que tinha como réus os avós maternos de Sean, acusados de sequestro com a mãe da criança, a estilista Bruna Bianchi, que morreu no ano passado no parto da segunda filha, com o advogado João Paulo Lins e Silva. O advogado afirmou também que considera "ridícula" a exposição a que Sean tem sido submetido, como a reportagem exclusiva da NBC que mostra a interação entre filho, pai e parentes e a chegada do garoto à casa de Tinton Falls.

Velha casa

Ontem foi o primeiro dia de Sean na casa de seu pai, de onde saíra em junho de 2004, quando sua mãe disse a Goldman que passaria duas semanas de férias no Brasil e nunca mais voltou. Pai e filho jogaram videogame, brincaram com primos e tomaram chocolate quente. "Quando estávamos chegando, ele perguntou onde era a "nossa" casa. Eu esperei cinco anos para ele dizer "a nossa casa"", disse.

Segundo ele, Sean "está feliz e apenas quer se divertir". "Ele entrou em casa, viu a árvore de Natal e começou a abrir os presentes, além de brincar com um gatinho", contou o pai. Goldman disse que o principal desafio agora será o menino se adaptar à nova vida. A cidade de Tinton Falls é pequena e fica a cerca de uma hora de Nova York. Goldman enfrenta ainda dificuldades financeiras, um contraste com a vida de classe média alta levada por Sean no Brasil.

Nota oficial

O ministro dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, divulgou ontem nota oficial sobre o caso. Ele afirmou que a devolução de Sean "atende às obrigações do Brasil com relação ao cumprimento da Convenção de Haia". Vannuchi colocou o governo à disposição "para resguardar, nos termos da Convenção, o convívio familiar da criança com a sua família brasileira". O ministro disse também que sempre reiterou por solução amistosa do conflito para proteger Sean.

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