Pai confessa ter esganado filho de 12 anos após briga

Depois de a polícia apresentar provas, segurança admitiu ter sufocado caçula; luminol encontrou sangue em sola e tiras de chinelo do pai

Humberto Maia Junior, O Estadao de S.Paulo

11 de setembro de 2008 | 00h00

Após ser confrontado com "provas irrefutáveis", o segurança João Alexandre Rodrigues, de 40 anos, confessou participação na morte dos filhos Igor Giovani, de 12, e João Victor dos Santos Rodrigues, de 13. Em depoimento prestado na madrugada de ontem na delegacia de Ribeirão Pires, o pai disse ter estrangulado Igor após uma briga. João Victor teria sido morto a facadas pela madrasta, Eliane Aparecida Rodrigues, de 36 anos, na noite de sexta-feira.Rodrigues foi chamado a depor depois de peritos terem descoberto, anteontem à noite, provas contra ele, como vestígios de sangue na casa e num chinelo. "Foram encontrados sangue na sola e nas tiras superiores", disse o delegado seccional de Santo André, Luiz Carlos dos Santos, responsável pelo caso. O sangue foi detectado com luminol - reagente químico.Diante das provas, Rodrigues chorou. Em seguida, descreveu o crime. Quando os meninos voltaram para casa, na quinta passada, após fuga, o casal teria discutido com eles. "Os filhos disseram que foram expulsos pela madrasta. Ela negou", disse Santos. Ao receber resposta "malcriada" do caçula, Rodrigues teria corrido atrás dele até a cozinha, onde o teria sufocado com as mãos. João Victor correu para o quarto e foi perseguido por Eliane, que o teria matado a facadas.A madrasta tinha assumido participação, mas atribuiu os assassinatos ao marido. Ela disse que teria ajudado na ocultação dos corpos. Após matar os meninos, o casal levou os corpos ao quintal. Jogou querosene para incendiá-los. A tentativa não deu certo. Eles arrastaram os corpos para casa e, com um facão, os esquartejaram. Colocaram os pedaços em cinco sacos: três foram largados na frente da casa para serem levados pelo caminhão de lixo. Um, na esquina da rua. E o quinto, numa praça.O delegado disse não acreditar que o crime tenha sido premeditado. "Os meninos foram mortos porque eram um obstáculo ao relacionamento." Santos disse que os meninos motivaram discussões entre o casal, mas o estopim foi a discussão após o retorno da fuga.Santos disse que, depois de chorar, o pai descreveu friamente o crime. O depoimento foi acompanhado por uma irmã de Rodrigues, para que não houvesse dúvida sobre a legalidade da confissão. "Foi um dos piores casos que já apurei." A manhã deve ser realizada reconstituição. Os dois foram indiciados por duplo homicídio, ocultação de cadáver e vilipêndio.

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