Pai de Alves diz que ele tem de pagar pelo que fez

Agricultor nunca falou com o filho, reconhecido a pedido da mãe

Adelson Barbosa dos Santos, Daniel Brito e Luísa Alcalde, O Estadao de S.Paulo

22 Outubro 2008 | 00h00

O agricultor José Luciano, de 63 anos, disse ontem que o filho, Lindemberg Alves, de 22, deve pagar pelos crimes que cometeu. Conhecido como Zé Viola, o pai do assassino de Eloá Cristina Pimentel da Silva mora na zona rural de Teixeira, a 330 quilômetros de João Pessoa, e não tem contato com o filho há 20 anos. "Não é porque é meu filho que merece outra chance. Ele tem de pagar." Ele disse que tomou conhecimento da tragédia de Santo André, na manhã de segunda-feira, por uma afilhada. "Ela me ligou para avisar que era o meu menino quem estava lá na televisão", explicou, em entrevista por telefone. "Fiquei nervoso e chocado. Nunca tive notícias dele, quando vem, é uma coisa dessas." Sobre o que viu na TV, disse: "Acho que foi um momento de loucura, porque eu fui menino, adolescente e jovem e nunca me passou pela cabeça uma coisa dessas." Ele ainda criticou a ação da polícia e da Justiça. Zé Viola acredita que a PM deveria ter agido no momento em que Lindemberg soltou Nayara. "Não acredito que ele fez isso por amor. Não acredito que o sujeito goste de uma coisa e dê fim àquele objeto", acrescentou. CONTATO Bem articulado, solícito e demonstrando a frieza de quem não tem nada a ver com a trágica história do filho, Zé Viola deu informações que não conferiram com as apuradas pela reportagem com vizinhos e conhecidos do lavrador. Ele afirmou que o seqüestrador é o sexto dos sete filhos que tem com mulheres diferentes. Vizinhos de Zé Viola afirmaram, contudo, que são 13 filhos. Lindemberg só foi reconhecido pelo pai a pedido da mãe. Pai e filho nunca trocaram um palavra - Lindemberg mudou-se para São Paulo carregado no colo da mãe, quando ainda tinha 2 anos. Nem mesmo em 2000, quando Zé Viola foi à capital paulista de ônibus para visitar um irmão. "Ninguém nunca me falou que eles estavam em São Paulo", lamentou. Em Patos, distante 30 quilômetros de Teixeira, onde Lidemberg nasceu, os parentes que ainda moram por lá têm passado por dias de sufoco. Francisco de Assis Alves é irmão de Lindemberg por parte de pai e mantém, na garagem de casa, um açougue. O movimento aumentou nos últimos dias, por conta da repercussão do caso. "O povo ficou falando pela rua que Francisco é irmão do seqüestrador, e as pessoas vêm aqui perguntar sobre Lindemberg", contou o gazeteiro Roberto dos Santos, vizinho de Francisco. O meio-irmão chegou a conceder entrevista a uma emissora de TV, onde revelou não ter contato com Lindemberg. Depois disso, decidiu calar-se e fechou as portas do açougue. MÃE Em Santo André, uma sobrinha de Lindemberg, de 11 anos, disse ontem que a família reconhece que o rapaz errou, mas que nem por isso o abandonará. "Todo o mundo sabe a burrada que ele fez. E essa também é nossa opinião. Mas vamos dar todo apoio a ele. Estamos muito unidos", afirmou. Ela é filha da cozinheira Lindomar Alves, uma das três irmãs do rapaz. Segundo a garota, a família está cansada de ser "perturbada pela mídia" e pede que a dor da avó dela, Maria das Dores Fernandes de França, seja respeitada. "Minha avó não quer falar com ninguém. Minhas tias fazem companhia porque ela não tem condições de ficar sozinha. Está comendo, dormindo, mas ainda está muito triste com tudo isso", contou. Segundo a adolescente, desde o desfecho trágico do caso, a avó só saiu de casa para ir ao velório de Eloá. "Ela foi com a minha mãe e as minhas tias. Não tinha por que não ir. Não fizemos nada e gostamos muito da família da Eloá", contou. As famílias são evangélicas e freqüentam a mesma igreja.

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