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Pai de Bernardo pede que memória do filho seja respeitada

Em carta, Leandro Boldrini, acusado do assassinato do garoto, pede preservação a imagem dos filhos; ele e a madrasta estão presos

Lucas Azevedo , Especial para O Estado

22 Outubro 2014 | 18h29

PORTO ALEGRE - Em uma carta escrita de próprio punho, o médico Leandro Boldrini, acusado de mandar assassinar o próprio filho, o menino Bernardo Boldrini, 11 anos, pede que a memória do menino seja preservada. A correspondência, endereçada ao juiz, foi escrita na Pasc (Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas), na região metropolitana de Porto Alegre, onde o cirurgião está preso. O bilhete foi conseguido com exclusividade pela RBS TV.

"Peço que o senhor tome providências no sentido de preservar a memória do meu filho Bernardo e a imagem da minha filha", escreveu. Junto com a madrasta de Bernardo, Graciele Ugulini, acusada de executar o assassinato, Leandro tem uma filha pequena.

O médico também se refere a uma palestra que a delegada do caso, Caroline Bamberg, e a promotora, Dinamárcia de Oliveira, fizeram no interior do Estado. "Não posso, por mais falhas que cometi como pai, concordar, permitir que pessoas utilizem essa tragédia, a imagem do meu filho, para se promoverem", acusou o pai de Bernardo.

"Esse processo é uma tragédia na minha vida, pois perdi meu filho e ao mesmo tempo sou acusado de ser o assassino. Minha vida, minha carreira, que tanto priorizei, hoje já não me importam mais", acrescentou.

Procurada, Caroline Bamberg informou que não comentaria o trecho da carta que lhe é atribuído. Já a promotora Dinamárcia não foi encontrada pela reportagem.

Leandro é acusado de ser o mentor do assassinato de Bernardo, junto com Graciele. Ela é apontada como a executora, com ajuda de Edelvânia Wirganovicz e Evandro Wirganovicz. Eles respondem processo criminal por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.  

Bernardo foi encontrado morto, enterrado em uma cova rasa, em abril, na cidade gaúcha de Frederico Westphalen, aproximadamente 80 quilômetros de Três Passos, onde vivia com o pai e a madrasta.

Nessa segunda, o advogado de Jussara Uglione, avó de Bernardo, solicitou à Justiça a reabertura da investigação da morte da mãe do menino, Odilaine Uglione. Marlon Taborda se baseia em uma perícia particular realizada em uma carta deixada pela mãe do garoto. Ao contrário do que concluiu a polícia na época, em fevereiro de 2010, para a família Uglione Odilaine não se suicidou, mas foi assassinada dentro da clínica do então marido, Leandro Boldrini.  

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