Pai de brasileiro acusado de morte tem acusações de estupro

O pai do brasileiro acusado de matar por estrangulamento a adolescente Christina Long, de 13 anos, em Bridgeport, nos Estados Unidos, também enfrenta dificuldades com a polícia no Brasil. Saul Portes dos Reis, de 55 anos, mais conhecido como "Missionário Saul", tem várias acusações de estupro contra adolescentes desde o início da década de 80.Em janeiro de 1981, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça de Mogi-Guaçu, no interior de São Paulo, acusado de violentar uma menina de 11 anos e outras duas menores. Na época, "Missionário Saul" mantinha a Igreja Senhor Jesus, fundada por ele poucos anos antes, que reunia mais de 6 mil fiéis, com templos em Mogi-Guaçu, Mogi-Mirim e Itapira (SP).?Cassino de Deus?Segundo o inquérito, o "missionário" seduzia as menores em sua casa e nos templos. Com base em acusações das mães das menores, "Missionário Saul" foi afastado da direção de um orfanato que mantinha no então distrito de Estiva-Gerbi."Missionário Saul" tinha um programa líder de audiência numa rádio de Mogi-Mirim, no qual fazia imitações e distribuía remédios. Com o escândalo e a prisão decretada, ele fugiu. Mas, dois anos depois, fundou a igreja Cassino de Deus, em Poços de Caldas, onde pode ter sido adotado Saul Portes dos Reis Júnior, hoje no banco dos réus da Justiça americana.Explicações à JustiçaA igreja atraiu centenas de adeptos até ser fechada pela polícia. "Missionário Saul", um de seus irmãos, uma amante e outras pessoas que o assessoravam tiveram de dar explicações à Justiça e, pouco a pouco, foram deixando a cidade.Silvana, mãe de Saulinho, apelido dado pela família ao filho adotivo, se separou do missionário tempos antes do Cassino de Deus ruir. Ela retornou com o menino, na época com 7 anos, para Campinas, sua cidade natal, e de lá mudou-se para os Estados Unidos, deixando o garoto com os avós maternos. Ele só se mudou para o exterior com a mãe aos 16 anos.Abuso e pedofilia"Missionário Saul" andou por Rondônia, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná. Em Rondonópolis (MT), viveu mais de dez anos. Trabalhou como pastor e radialista e conseguiu eleger-se vereador. Só deixou a cidade há três anos, quando seu passado veio à tona. "Missionário Saul" tinha um programa, o Saul Feliz, na Rádio Amorim.De Rondonópolis, Saul mudou-se para Campo Mourão (PR), onde se apresentou como missionário da Igreja do Senhor Jesus - Pavilhão da Fé. Em abril de 2001, foi acusado de abuso e pedofilia por três mulheres e cinco adolescentes. Quatro vítimas disseram ter mantido relações com "Missionário Saul" em "consultas espirituais". Uma menor relatou que ele a mandava tirar a roupa por "exigência divina".O missionário fugiu. Segundo o jornal Tribuna, de Campo Mourão, ele foi detido em 9 de novembro do ano passado em Mogi-Mirim. Dias depois foi transferido para o Paraná. No dia 23 de dezembro, obteve liberdade provisória.

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