Pai de brasileiro morto nos EUA acompanhará apuração

Ele também pretende conversar com a noiva do rapaz para que o corpo seja sepultado no Paraná

Evandro Fadel, especial para O Estado,

29 de julho de 2008 | 17h02

O policial militar da reserva Luiz Carlos de Castro Martins pretende viajar ainda esta semana para os Estados Unidos, para acompanhar as investigações sobre a morte de seu filho André, de 25 anos, na madrugada de domingo, 27, com tiro disparado por um policial norte-americano, ao não parar em uma blitz no distrito de West Yarmouth, no Estado de Massachusetts. Ele também pretende conversar com a noiva do rapaz, a brasileira Camila Campos, para que o corpo seja sepultado em Cianorte, no noroeste do Paraná, onde mora, ou em Tapejara, município vizinho, onde André viveu até os 18 anos. A mãe do rapaz mora em Santa Catarina. Veja também:Policial que matou brasileiro nos EUA é afastadoTurística, cidade atrai imigrantes vindos do PR e MG  ''Metralharam meu filho'', afirma pai de rapaz   Na tarde desta terça-feira, 29, Luiz Carlos atendeu telefonema de uma brasileira, que é policial na localidade de Hyannis, onde André trabalhava, e, por meio dela, recebeu as condolências do procurador-geral de Massachusets. "Ele disse que está fazendo uma investigação independente da polícia", afirmou Luiz Carlos. O pai de André aguardava um fax que seria enviado por uma funerária para a liberação do corpo no Instituto Médico Legal. "Só está faltando a minha assinatura", acentuou o policial da reserva. Ele ressaltou que também recebeu telefonema do cônsul do Brasil em Boston, Mário Saad, colocando-se à disposição. De manhã, Luiz Carlos esteve em Maringá para renovar o passaporte e poder viajar. Ele tentava conseguir com parentes e amigos mais de uma passagem, para que a mãe e o irmão de André também possam ir aos Estados Unidos. Além disso, o pai espera reunir os recursos para fazer o traslado do corpo, calculado em torno de US$ 14 mil. "Espero que a sociedade possa se mobilizar", afirmou. Segundo Luiz Carlos, a princípio a noiva de André pretende fazer o sepultamento nos Estados Unidos. Ela está com a documentação regular e não teria intenções de retornar ao Brasil. Os filhos do casal - Letícia, de 6 anos, e Daniel, de 2 - são americanos. "Mas agora o principal é liberar o corpo", ponderou Luiz Carlos. "Preciso conversar porque para ela também não é fácil essa situação."  André trabalhava como pintor, mas vivia ilegalmente nos Estados Unidos, para onde foi em 2001. Como não tinha carteira de habilitação e temia ser preso, teria preferido não obedecer a ordem de parar, mas foi atingido por tiro no coração e no pulmão. O suspeito é o policial Christopher Van Ness, de 34 anos. A argumentação é que o rapaz estaria em alta velocidade e teria tentado jogar o carro contra a viatura policial. Camila, que estava junto com André e saiu ilesa, nega essa versão. O procurador-geral de Massachusetts confirmou para o pai do rapaz que Van Ness está afastado dos serviços de rua enquanto o caso estiver sob investigação. A polícia divulgou que André estaria com um cigarro que parecia ser de maconha na hora em que foi morto. "Mas nada justifica tirar-lhe a vida", disse Luiz Carlos. "Seria uma barbaridade discriminá-lo por causa disso."

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