Pai de crianças soterradas teria vendido casa da Prefeitura

O lavador de carros Antônio Laurêncio dos Santos, de 37 anos, pai de seis crianças que morreram soterradas num deslizamento de terra, na madrugada do último dia 16, no Morro das Pedras, zona oeste da capital mineira, recebeu, em 1995, uma casa da Prefeitura de Belo Horizonte.De acordo com a administração municipal, AntônioLaurêncio ganhou o imóvel público ? situado fora das áreas de risco da cidade ? durante a desocupação de um lixão, localizado na mesma região onde ocorreu a tragédia, na qual três sobrinhos do lavador de carro também morreram. Na ocasião, quase 400 famílias foram removidas da área.Antônio Laurêncio confirmou que recebeu a casa, mas disse que depois trocou o imóvel pelo barraco que foi soterrado na semana passada. De acordo com o secretário municipal de Coordenação de Política Social, Jorge Nahas, os dadoslevantados pela Prefeitura serão enviados ao Ministério Público Estadual (MPE), que vai decidir sobre uma possível ação penal.Segundo o secretário, o lavador de carros não teria sequer morado na residência popular, de cinco cômodos (dois quartos, sala, copa/cozinha e banheiro), localizada em um conjunto residencial, na região do Barreiro, Norte da capital. ?Assim que ele recebeu (a casa), ele fez essa negociação?, afirmou. ?Que tipo de benefício ele auferiu disso aí, a gente não sabe.?Nahas disse que a Prefeitura recebeu uma denúncia de moradores da favela onde vivia Antônio Laurêncio e decidiu investigar. A apuração vinha sendo mantida em sigilo, mas vazou nesta quarta. ?Na verdade, nós não pretendíamos divulgar. O que quer que esse cidadão tenha feito, ele perdeu seis filhos.?Entre os filhos do lavador de carros que morreram no soterramento estava Felipe dos Santos, que chegou a escapar com vida de dois deslizamentos, mas não resistiu às complicações por ter ficado quase 15 horas debaixo da lama e dos escombros de dois barracos e faleceu na madrugada do dia 17, após ser submetido a cirurgia no Hospital João XXIII.Antônio Laurêncio ameaçou entrar com pedido de indenização contra a Prefeitura. Ele acusa a administração municipal de negligência, já que técnicos da Regional Oeste estiveram no local um dia antes da tragédia e não constataram riscoiminente.Nesta quarta, a Polícia Civil começou a ouvir testemunhas e vítimas do Morro das Pedras e na favela do Taquaril, na região Leste da cidade, onde morreram duas pessoas. O lavador de carros e a mulher, Valdezita Caldeira dos Santos, 37 anos,prestaram depoimento. Ao todo, as fortes chuvas que atingiram Minas nos últimos diasprovocaram a morte de 44 pessoas em todo o Estado.

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