Pai de Eliza depõe sobre relacionamento da filha com goleiro do Flamengo

Bruno deve ser intimado a depor nesta semana; Eliza Samudio está desaparecida há 3 semanas

Eduardo Kattah, de O Estado de S. Paulo,

27 de junho de 2010 | 22h30

O arquiteto Luiz Carlos Samudio, de 43 anos, pai de Eliza Samudio, de 25, desaparecida há cerca de três semanas, prestou depoimento neste domingo, 27, na Delegacia de Contagem (MG) sobre o relacionamento da filha com o goleiro Bruno, do Flamengo.

 

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linkVítima já havia registrado queixa contra goleiro do Flamengo

 

Bruno está sendo investigado num inquérito que apura o desaparecimento da jovem, com quem teria um filho de 04 meses, fruto de uma relação extraconjugal. A Polícia Civil de Minas trabalha com a hipótese de assassinato. A Justiça de Minas concedeu uma autorização temporária para o avô da guarda da criança, registrada pela mãe com o nome de Bruno.

 

Luiz Carlos, que mora em Foz do Iguaçu (PR), desembarcou no início da tarde em Belo Horizonte acusando Bruno de "covarde". Após o depoimento, evitando citar o goleiro, ele fez um apelo para que quem tiver informação procurar a imprensa ou a polícia. "A Justiça vai ser feita. O que eu posso salientar aqui é que o cerco está se fechando e a verdade logo virá à tona".

 

A delegada Alessandra Wilke, responsável pela investigação, informou que Bruno deverá ser intimado a depor nesta semana. O inquérito foi instaurado após uma denúncia anônima, segundo a qual Eliza teria sido espancada e suas roupas teriam queimadas em um sítio de propriedade do goleiro, num condomínio em Esmeraldas, na região metropolitana de Belo Horizonte.

 

A mulher de Bruno, Dayane Souza, chegou a ser presa em flagrante sob a acusação de subtração de incapaz, já que o bebê estaria sob seus cuidados e ela teria tentado ocultar seu paradeiro. No domingo, equipes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar estiveram na região do condomínio em Esmeraldas para apurar a denúncia de um corpo nas localidades, mas até o início da noite não haviam obtido autorização para entrar no sítio do jogador.

 

Paternidade

 

Bruno não se submeteu ao exame de DNA e a paternidade está sendo discutida judicialmente. "Eles estavam num adiantado processo de acordo para resolver o reconhecimento e a questão da pensão e isso acabou interrompido pelo que aconteceu agora", observou o advogado Jader Marques, que representa o pai de Eliza.

 

No ano passado, a jovem chegou a registrar queixa contra Bruno na Delegacia de Atendimento à Mulher de Jacarepaguá, no Rio, acusando-o de sequestro, ameaça e agressão. Ela disse à polícia que o goleiro tentou obrigá-la a tomar abortivos.

 

Segundo Marques, a polícia trabalha com "muitas evidências". "O goleiro Bruno do Flamengo terá de vir ao inquérito, vai ter de dar explicações", destacou. "As pessoas que fizeram alguma coisa contra a Eliza já podem sim ter motivos para estar preocupados porque a Polícia está no encalço deles."

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