Pai de Eloá tem 15 dias para se apresentar ou será julgado

Everaldo é acusado de duplo homicídio e está foragido da polícia de Alagoas desde 1993

Ricardo Rodrigues, de O Estado de S. Paulo,

30 Outubro 2008 | 15h40

A Justiça de Alagoas estipulou prazo de 15 dias para que o pai da adolescente Eloá, o ex-cabo da Polícia Militar de Alagoas, Everaldo Pereira dos Santos, se apresente, caso contrário será levado à julgamento pelo assassinato de um delegado da Polícia Civil do Estado. O edital de intimação da sentença de pronúncia do ex-militar, com relação a esse duplo homicídio, foi publicado nesta quinta-feira, 30, no Diário Oficial do Estado. Segundo o juiz Geraldo Amorim, titular da 9ª Vara Criminal de Maceió, caso o pai de Eloá não se apresente será julgado à revelia.   Veja também: Juiz aceita acusação contra Lindemberg e pai de Eloá Leia a íntegra da denúncia entregue pelo promotor  Perguntas e respostas sobre o caso Eloá  Especial: 100 horas de tragédia no ABC   Mãe de Eloá diz que perdoa Lindemberg  Imagens da negociação com Lindemberg I  Imagens da negociação com Lindemberg II  Especialistas falam sobre o seqüestro no ABC Galeria de fotos com imagens do seqüestro  Todas as notícias sobre o caso Eloá        "Como foi procedida da notificação a respeito do fato e a sentença de pronúncia ainda não foi contestada, caso o Everaldo não se apresente, ele deverá se levado à júri ainda este ano ou no mais tardar no primeiro semestre de 2009", afirmou o juiz Geraldo Amorim. Segundo ele, Everaldo responde por duplo homicídio doloso, tendo como vítimas o delegado Ricardo Lessa, irmão do ex-governador de Alagoas Ronaldo Lessa (PDT); e seu motorista, Antenor Carlota da Silva, assassinados à tiros, em outubro de 1991, no bairro Bebedouro, em Maceió.   O edital intima o também ex-cabo PM Cícero Felizardo dos Santos, o ex-sargento PM José Carlos de Oliveira, os ex-soldados PM Aderildo Mariz Ferreira, Edgar Romero de Morais Barros e Valdomiro dos Santos Barros, além do policial civil Valmir dos Santos. Na época, o pai da Eloá e os demais policiais acusados da morte do delegado pertenciam a gangue fardada, um grupo extermínio comandado pelo ex-tenente coronel PM Manoel Franscico Cavalcante, que se encontra preso no presídio Militar do Rio de Janeiro, condenado por outros crimes.   Intimação em Santo André   De acordo com o juiz Geraldo Amorim, o julgamento ainda não tinha sido marcado porque Everaldo encontrava-se foragido, em local incerto e não sabido. "A partir do momento que ele apareceu, durante o seqüestro, a Polícia Judiciária de Alagoas se deslocou até Santo André, no ABC paulista, para proceder a intimação. Embora ele tenha fugido de novo, mas a citação foi feita e divulgada pela imprensa, portanto é pública e notória. Por isso, se ele não se apresentar, será julgado á revelia", explicou o magistrado.   Everaldo está foragido desde 1993, quando a polícia começou a investigar os crimes atribuídos à gangue fardada, uma espécie de grupo de extermínio, envolvido também em crimes de pistolagem, roubos e desmanches de carros. Em São Paulo, Everaldo usava o nome falso de Aldo Pimentel e trabalhava como vigilante na região do ABC. No caso Eloá, ele foi indiciado pela polícia paulista por falsidade ideológica e vai responder também por porte de arma, já dentro do seu apartamento foi encontrada uma espingarda de uso restrito.   Everaldo também é acusado de assassinar, com requintes de crueldade, a ex-esposa Marta Lúcia Vieira, em abril de 1993. A denúncia foi feita pelas irmãs da sua ex-companheira e está sendo investigada pela Polícia Civil de Alagoas, que ainda não localizou o inquérito sobre o caso. Contra Everaldo pesam também outros crimes, inclusive em Pernambuco, para onde o diretor-geral da Polícia Civil de Alagoas, delegado Marcílio Barenco, viajou na última quarta-feira, para colher informações sobre as acusações.

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